Pperadora da rede de distribuição de energia elétrica declarou que "os números por concelho serão divulgados às Câmaras Municipais assim que os tivermos"
A E-Redes vai remeter às câmaras municipais o número de clientes sem energia na sequência do mau tempo, mas os órgãos de comunicação social estão excluídos desta informação, segundo fonte oficial da empresa.
"Os números por concelho serão divulgados às Câmaras Municipais assim que os tivermos", declarou à agência Lusa fonte oficial da E-Redes, a principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão.
A mesma fonte oficial adiantou que "à comunicação social não há números por concelho", com a empresa a assegurar que "o número de clientes com eletricidade reposta está a aumentar".
"A E-Redes, sempre que tiver números disponíveis relativos à reposição da energia elétrica a nível nacional e, concretamente, das zonas mais afetadas pela depressão Kristin, vai divulgar aos meios de comunicação social como tem sido feito até agora", declarou.
De acordo com informação enviada esta manhã aos 'media', às 08h00 deste domingo a E-Redes tinha por alimentar cerca de 66 mil clientes na zona da depressão Kristin e um total de 76 mil clientes em todo o território continental.
No sábado, a câmara e as 20 juntas de freguesia de Leiria criticaram "a falta de informação objetiva, atualizada e acessível" da E-Redes.
Numa carta aberta dirigida ao presidente do conselho de administração da E-Redes e lida nesse dia pelo presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, os subscritores reconhecem "o esforço técnico das equipas no terreno", mas defendem que, "num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica".
Nesse sentido, os autarcas de Leiria defendem que "as populações têm o direito de saber qual o ponto de situação concreto em cada freguesia" ou que "prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço".
Os munícipes também têm direito de saber que "critérios orientam as prioridades de intervenção, que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar e que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível", de acordo com a carta aberta.
Já este domingo, o presidente do Município da Marinha Grande (Leiria), Paulo Vicente, acusou a E-Redes de estar a retroceder na reposição do fornecimento de energia elétrica ao concelho.
"Este domingo, 08 de fevereiro, 27% da população do concelho permanece sem energia elétrica, o que representa 6.812 clientes ainda afetados. Em 05 de fevereiro, encontravam-se cerca de 15% dos habitantes do concelho sem eletricidade (aproximadamente 3.900 clientes)", lê-se na nota de imprensa.
Face à gravidade da situação, a câmara exige "a reposição urgente e completa do abastecimento elétrico em todas as localidades do concelho" e "transparência na comunicação sobre os prazos de resolução e equipas no terreno".
A Câmara reclama também "reforço imediato dos meios operacionais, dada a persistência de situações prolongadas e inaceitáveis", e a "assunção das responsabilidades aplicáveis, pelos danos materiais causados a famílias e empresas".
Catorze pessoas morreram em Portugal desde o dia 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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