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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

EDP estima impactos de 80 milhões de euros com maior peso nas redes devido ao mau tempo

"Tivemos mais de seis mil quilómetros de rede impactados", explicou a empresa.

25 de fevereiro de 2026 às 19:02

A EDP estima em cerca de 80 milhões de euros os impactos provocados pela tempestade Kristin, incluindo danos nas redes elétricas e em ativos de geração, além de custos operacionais associados, disse à Lusa o presidente executivo do grupo.

"Tivemos mais de seis mil quilómetros de rede impactados e mais de 220 megawatts de ativos também impactados", afirmou Miguel Stilwell d'Andrade, no âmbito da apresentação dos resultados anuais do grupo que integra a E-Redes, responsável pela operação das redes de distribuição em Portugal continental.

"Nós estimamos o custo da reconstrução e dos impactos em geral (...) em cerca de 80 milhões de euros", acrescentou, referindo que o valor inclui reconstrução da rede, custos com geradores e custos com pessoal.

Miguel Stilwell d'Andrade revelou ainda que a empresa está quase a finalizar a ligação dos clientes que ainda se encontram sem energia. "Estamos mesmo no final, temos só dois concelhos que ainda têm alguns clientes por ligar, mas temos as equipas em pleno a trabalhar nisso", disse.

Segundo os dados de 22 de fevereiro, cerca de 1.800 clientes da E-Redes das localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou em 28 de janeiro por Portugal continental, continuavam sem energia elétrica.

Questionado sobre a necessidade de acelerar investimentos na resiliência da rede, nomeadamente no enterramento de linhas elétricas, o responsável afirmou que a empresa tem vindo a defender "um aumento de investimento nas redes" e recordou que foi apresentada uma proposta para aumentar "em cerca de 70% o investimento".

"Se devemos enterrar ou não, acho que isto tem que ser visto caso a caso", afirmou, sublinhando que "são análises técnicas que têm que ser feitas de forma ponderada, porque enterrar as redes tem um custo grande que depois tem que ser pago".

O gestor defendeu que a resiliência não deve ser vista "exclusivamente sob o prisma de enterrar ou não enterrar", apontando alternativas como redes "mais malhadas" e maior redundância, numa lógica de "melhor relação custo-benefício".

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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