A medida que se impõe a curto prazo é simples: "Fazer as pazes entre o Ministério e os professores." Quem o diz é António Teodoro, coordenador do Observatório de Políticas de Educação e Contextos Educativos e professor na Universidade Lusófona.
Os últimos anos foram marcados por várias divergências entre os docentes e a tutela, com casos e polémicas que levaram o Presidente da República a intervir.
Em Novembro do ano passado, Cavaco Silva apelou à serenidade no processo educativo, depois de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter sido alvo de um ataque com ovos, em Fafe, e de o secretário de Estado Adjunto e da Educação ter sido atacado com tomates e ovos, em Lisboa. "Não é possível para a aprendizagem manter o conflito que se regista nos últimos anos", resume António Teodoro.
A ‘indisciplina’ dos mais velhos estendeu-se aos mais novos: professores agredidos, alunos com armas nas escolas, pais a baterem nos funcionários. Mas nem tudo é negativo nas escolas: foram fechados estabelecimentos nas aldeias, mas as turmas nas vilas são maiores; as escolas secundárias estão a ser modernizadas e as tecnologias fazem parte do dia-a--dia de alunos e professores. As crianças da primária têm actividades extracurriculares e aprendem Inglês à velocidade com que lhes ensinam a língua de Camões. Os cursos profissionais estão disponíveis em centenas de escolas em todo o País.
Mas os resultados escolares continuam aquém do que seria desejável, e todos os anos quase um quinto dos alunos do Secundário chumba ou abandona a escola.
António Teodoro considera que "mais importante do que alargar o ensino obrigatório a 12 anos ou até aos 18 anos é garantir o acesso à educação pré-escolar dos 0 aos 6 anos em jardins-de--infância ou creches". O especialista em Educação partilha a opinião de Barack Obama: é de criança que se começa a "estabelecer uma sólida educação, que promove a coesão social". Sobre a avaliação de professores, que tanta celeuma levantou, António Teodoro entende que "a maior lacuna é os docentes trabalharem muito isolados, havendo uma supervisão pedagógica deficiente, sobretudo nos primeiros anos de profissão".
MAIS VAGAS PARA MEDICINA
Há mais 1100 vagas disponíveis este ano na primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior público. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior abriu 51 918 vagas, um crescimento de 1100 em comparação com 2008.
Os cursos de Medicina, com as médias mais altas, vão receber 1658 novos estudantes. A Universidade de Lisboa foi a que teve mais vagas para o curso de Medicina (295), seguida da Universidade de Coimbra, com 254 vagas.
Entre os dez cursos de acesso mais exigente contam-se seis de Medicina. O curso da Universidade do Porto foi o que teve a nota de entrada mais alta no ano passado, com o último colocado a precisar da média de 18,52 valores.
DISCURSO DIRECTO
"AVALIAÇÃO DIFERENCIA PREGUIÇOSOS E EMPENHADOS": Roberto Carneiro, Ex-ministroda Educação
Correio da Manhã – Como classifica a evolução da Educação nas últimas três décadas?
Roberto Carneiro – Notável. Foi recuperada grande parte do atraso registado nos últimos três séculos. Há um fluxo de alunos muito maior. A qualidade do ensino é superior. Programas como o ‘Novas Oportunidades’ permitem a entrada no ensino de pessoas que não tinham concluído os estudos.
– Que prioridades devem ser assumidas pelo Estado?
– A formação de professores. É necessário rever todo o modelo de formação.
– Defende a avaliação dos docentes?
– A avaliação dos professores premeia os melhores professores com base no princípio do mérito. A avaliação é um dado muito importante para diferenciar os empenhados dos preguiçosos.
– Concorda que a maioria dos estudantes não deposita um forte empenho para a obtenção de boas notas? O que pode ser feito para alterar esta forma de pensar?
– É preciso implementar a mentalidade do esforço. Os jovens têm consciência de que é preciso ser competitivo para vencer. O sistema educativo deve por isso ser organizado para premiar o mérito e o esforço pessoal.
POSITIVO
TECNOLOGIA
As escolas, os professores e os alunos têm mais computadores com acesso à internet, quadros interactivos e ainda videoprojectores
PARQUE ESCOLAR
As velhinhas escolas secundárias estão a ser recuperadas, modernizadas, embelezadas e rejuvenescidas. As instalações fazem inveja aos privados
MAIS OFERTA DE CURSOS
O alargamento do número de cursosde educação e formação, de equivalência ao Secundário, permitiu a milhares de alunos obterem um canudo
NEGATIVO
INSTABILIDADE
Nos últimos anos têm sido recorrentes as guerras entre os sindicatos de professores e o Ministério da Educação. As culpas são repartidas
INDISCIPLINA
Casos mediáticos, violência gratuita entre estudantes, professores e funcionários agredidos; a escola continuaa ser o reflexo da falta de educação
EDUCAÇÃO ESPECIAL
As alterações dos últimos anos apontam para uma escola inclusiva, mas os pais continuam a queixar-se de que não há número suficiente de professores
NOTAS
1100 ESCOLAS
apresentaram propostas para melhorar os resultados a Matemática. Os planos específicos para as disciplinas com piores resultados tiveram a adesão completa de professores e alunos.
EXAMES NÃO CONVENCEM
Os resultados escolares, nomeadamente nos exames do 9.º ano, têm oscilado entre melhorias e retrocessos. A melhoria dos resultados a Matemática resultou, segundo os professores, de um "facilitismo" nas provas. Uma indicação contrariada pela tutela.
100 MIL PROFESSORES
manifestaram-se a 8 de Novembro de 2008 pelas ruas de Lisboa, contra as políticas educativas. Foi a maior manifestação de sempre de um único sector em Portugal e foi o culminar de um braço-de-ferro entre Governo e sindicatos.
COLOCAÇÃO POR QUATRO ANOS
Milhares de professores viveram durante anos a angústia de dar aulas a centenas de quilómetros de casa e de mudar de escola todos os anos. Agora, as colocações são válidas por quatro anos. Bom para quem fica próximo de casa, pior para quem vai dar aulas longe.
950 MIL EM 'NOVAS OPORTUNIDADES'
O programa para certificação de competências ‘Novas Oportunidades’ regista actualmente 950 mil inscritos. Cerca de 300 mil já obtiveram um diploma do 9.º ou do 12.º ano de escolaridade, segundo os dados divulgados pelo Ministérioda Educação.
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