Foi longa a espera para ver a última morada de Francisco. “Não podia deixar de prestar homenagem ao homem que revolucionou a Igreja”, diz seminarista português.
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Foi uma grande enchente a que se verificou este domingo na Basílica de Santa Maria Maior. Milhares de fiéis quiseram, logo na primeira oportunidade, visitar o túmulo do Papa Francisco e a espera, em boa parte do dia, foi superior a duas horas. O Vaticano diz que passaram por lá este domingo mais de quarenta mil pessoas.
“Vim de propósito ao funeral e consegui viver todos os momentos. Fui ver o corpo do Papa na sexta, estive na Missa Exequial no sábado, ainda vi passar o cortejo fúnebre, e hoje [ontem] vi o túmulo do Papa. Vou de coração cheio”, disse ao CM Felisbela Couceiro, que reside em Lisboa. Também Francisco Moura, que já tinha estado na eleição de Bergoglio, assegurou que “não podia deixar de prestar esta homenagem a um homem que revolucionou a Igreja”. Seminarista nos jesuítas em Roma, o jovem português Vicente Goes lembra a faceta pobre e desprendida do Papa Francisco. O CM encontrou também a família Pires, da região de Tires, que tinha férias marcadas para Roma e teve “a bênção” de participar “neste evento tão marcante”.
A bússola devocional tem, por estes dias, o Norte virado para a Basílica de Santa Maria Maior e, este domingo à tarde, cerca de 200 cardeais, incluindo os quatro portugueses que vão participar na Conclave para a eleição do sucessor de Francisco - D. Américo Aguiar, D. Tolentino de Mendonça, D. Manuel Clemente e D. António Marto, rezaram ‘Vésperas’ junto ao túmulo de Francisco.
Italiano Pietro Parolin é o mais forte candidato à sucessão de Francisco
Comecemos por fixar este nome: Pietro Parolin. É italiano, tem 70 anos, foi nomeado secretário de Estado do Vaticano em agosto de 2013, seis meses antes de ter sido criado cardeal pelo Papa Francisco. E porque convém fixar esse nome? Porque, num Conclave tão diverso e tão disperso como este, com cardeais oriundos de 70 países, em que poucos se conhecem uns aos outros, este é o único cardeal que os conhece a todos e é também o único que todos conhecem.
Foi secretário de Estado do Vaticano, ou seja, segunda figura da Igreja Católica, nos doze anos de pontificado de Francisco. Esteve presente em todos os consistórios e visitou praticamente todos os países de onde vêm os 133 cardeais eleitores que vão participar no próximo Con- clave. Nos cinco Conclaves dos últimos 70 anos, um cardeal que na primeira votação consiga reunir cerca de 30 votos dificilmente deixará de ser eleito líder da Igreja. E, nas circunstâncias atuais, só Pietro Parolin reunirá, à partida, essa possibilidade. Falta saber se ele, após doze anos como secretário de Estado, estará na disposição de assumir as responsabilidades e viver as amarguras inerentes ao ministério petrino. O último secretário de Estado do Vaticano a ser eleito Papa foi Eugenio Pacelli, Pio XII, a 3 de março de 1939. E o último italiano foi Albino Luciani, em 1978, que, em memória de João XXIII e de Paulo VI, escolheu o nome João Paulo I. Só reinou 33 dias.
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