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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Estratégia para combater isolamento social em Pombal contempla prescrição social

Criação de uma linha telefónica "SOS Isolamento e Solidão" é outra das medidas.

11 de junho de 2026 às 14:37

A Estratégia de Combate ao Isolamento Social de Pombal (Leiria), que visa uma "abordagem integrada e comunitária" para prevenir e mitigar este problema, contempla a prescrição social e uma linha telefónica, entre outras ações.

De acordo com o resumo da estratégia, esta quinta-feira enviado à agência Lusa, pretende-se "identificar melhor as pessoas isoladas e em risco de isolamento", desenvolver respostas diretas para apoiar quem já está isolado, aumentar soluções preventivas para quem está em risco, sensibilizar a comunidade para o fenómeno, assim como "reforçar a coesão social e as relações intergeracionais".

"O isolamento social afeta transversalmente todas as faixas etárias e resulta de causas multifatoriais --- luto, problemas de saúde mental, desemprego, reforma, pobreza, violência doméstica, isolamento geográfico, entre outras", segundo o documento, o qual indica que, "em Pombal, mais de 5.200 residentes vivem sozinhos (mais de 10% da população), sendo mais de metade pessoas com 65 ou mais anos".

O chefe da Divisão de Desenvolvimento Social e Saúde, Pedro Carrana, explicou à Lusa que a estratégia nasce da participação do município na rede europeia 'Breaking Isolation'(quebrar o isolamento), financiada pelo programa URBACT, juntamente com outras nove cidades da Europa.

Desta participação nasceu a estratégia, que conta com vários parceiros, e que inclui a implementação, até 2030, de 16 ações, nove das quais novas.

No caso da prescrição social, Pedro Carrana esclareceu que a iniciativa passa por, ao invés de prescrição de medicação, haver propostas de atividades culturais ou desportivas, como uma ida ao museu ou ao teatro, "numa lógica de aumentar a socialização e a participação das pessoas na comunidade".

A criação de uma linha telefónica "SOS Isolamento e Solidão" é outra das medidas.

"Um vizinho, um amigo, alguém que sabe que no prédio, no bairro, na rua, na freguesia, está sozinho, entretanto ficou viúvo ou viúva, ou está doente, ou tem os filhos no estrangeiro e não consegue falar com a pessoa, através desta linha, destes mecanismos de identificação e sinalização, chega ao município e, através do nosso serviço de Desenvolvimento Social, podermos atuar", adiantou Pedro Carrana.

O "Bibliocafé", sessões informais na Biblioteca Municipal, uma campanha de sensibilização sobre o isolamento social, "porque nunca é demais" aumentar o conhecimento e a capacitação da população, uma página na Internet e treino de competências para técnicos estão igualmente previstos.

O chefe de divisão da Câmara realçou que há ações da Estratégia de Combate ao Isolamento Social de Pombal que estão no terreno, como o "Desporto para todos", com "mais de 300 idosos a participar semanalmente" numa atividade desportiva, o Programa Municipal de Promoção da Vizinhança, "em que as pessoas contribuem para a melhoria do seu bairro", ou os espaços seniores, multidisciplinares e já disseminados nas 17 freguesias do concelho.

O transporte a pedido (serviço flexível de transporte público para populações em territórios com menor cobertura), o Programa de Preparação para a Reforma (sessões de grupo de apoio à transição), e o Radar Social (sinalização de pessoas em situação de vulnerabilidade, com georreferenciação social) são outras das ações já implementadas.

Pedro Carrana salientou que isolamento "não é só as pessoas estarem a viver longe umas das outras".

"Nós temos pessoas jovens, adultos, mais velhos, seniores, que estão dentro da cidade, vivem num apartamento e estão isolados de todo o prédio, isolados das pessoas, da sociedade, da família", observou.

Este responsável acrescentou que a estratégia se insere "numa lógica de um conjunto de instrumentos de planeamento que o município tem estado a construir", como o Plano de Desenvolvimento Social, 2024-2028 ou a Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo, Saudável e Feliz.

Para Pedro Carrana, o trabalho desenvolvido no âmbito da rede, nos últimos dois anos e meio, permitiu ver "esta temática do isolamento social de uma outra forma", também como problema para a saúde e comunitário, salientando a importância de haver territórios mais saudáveis.

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