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Estudantes que ocuparam edifício na Universidade do Porto desmobilizaram de forma pacífica após intervenção da PSP

Direção da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) informou na segunda-feira à noite que não haveria aulas esta manhã.

21 de maio de 2024 às 07:43

Os estudantes que ocupavam desde quinta-feira instalações do departamento de Ciências e Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto desmobilizaram esta segunda-feira de forma pacífica após intervenção da PSP, segundo fonte da reitoria daquela instituição.

A intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP), a pedido da universidade, que tinha exigido aos estudantes que saíssem até às 20h00 de segunda-feira", começou às 07h00 de hoje, disse a mesma fonte à agência Lusa.

"Os cerca de 30 estudantes desmobilizaram e o acampamento no exterior foi levantado. Agora o edifício que tinha sido ocupado vai ser alvo de uma inspeção e limpeza. Pelo menos durante a manhã não haverá condições para a retoma de aulas neste edifício. Os restantes estão a funcionar normalmente", indicou a mesma fonte da reitoria da Universidade do Porto.

A direção da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) informou na segunda-feira à noite que não haveria aulas esta manhã no edifício ocupado por estudantes em protesto contra a manutenção das relações entre a academia e Israel.

Em comunicado à 00h05, a direção informou que devido à "ocupação de parte das instalações" do departamento de Ciência de Computadores (DCC) na segunda-feira, essa parte do edifício "estará encerrada de manhã".

"Assim, não irão decorrer quaisquer atividades académicas, incluindo aulas ou avaliações, dentro do edifício FC6, até a direção da FCUP dar novas indicações. Até lá, não será permitido o acesso ao edifício", lê-se no comunicado assinado pelo diretor do DCC, Alípio Jorge.

No final do quinto dia de protestos, no interior da faculdade, nomeadamente nos corredores, escadas e em pelo menos uma das salas, mantinham-se cerca de 25 estudantes, num cenário que, a continuar até de manhã, impossibilita o normal decurso das aulas.

A ocupação do espaço aconteceu após a chegada de cinco agentes da PSP ao edifício, chamados pela diretora da faculdade depois de a última reunião com os estudantes ter falhado uma tentativa de acordo, da parte de estudantes, para uma cisão da academia com o Estado de Israel, e, da parte da faculdade, para que abandonassem os jardins onde protestam desde quinta-feira.

Cerca de uma centena de pessoas continuavam às 00h00 de hoje concentradas no jardim da FCUP, em protesto contra a manutenção das relações entre a academia e o Estado de Israel.

O protesto teve o primeiro momento em 08 de maio, quando cerca de meia centena de estudantes exigiram diante da reitoria da UP o corte de relações entre a academia e o Estado de Israel.

Na quarta-feira os estudantes concentraram-se na Faculdade de Belas Artes e decidiram prosseguir com o protesto na Faculdade de Ciências, onde colocaram tendas de campismo para se abrigarem durante a noite, rodeadas de bandeiras da Palestina, velas e faixas com frases como: "Solidariedade proletária por uma Palestina Livre", "Israel não é uma democracia, Israel é um país terrorista" e "A revolução começa aqui".

A ação faz parte da luta internacional de protesto estudantil que se iniciou em universidades norte-americanas e já se estendeu a instituições de ensino superior em várias cidades europeias, do Canadá, México e até Austrália, a exigir o fim da ofensiva israelita na Faixa de Gaza.

O conflito em curso na Faixa de Gaza foi desencadeado pelo ataque do grupo islamita Hamas em solo israelita de 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, segundo as autoridades israelitas.

Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar em grande escala na Faixa de Gaza, que já provocou acima de 35 mil mortes, na maioria civis, de acordo com as autoridades locais controladas pelo Hamas, e deixou o enclave numa situação de grave crise humanitária.

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