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Falsa médica presa durante consulta

Alegando ser especialista em oncologia, homem telefonava a mulheres e dizia-lhes que estavam doentes. Levava-as a filmar os órgãos sexuais.

28 de agosto de 2010 às 00:30

Adoptava vozes de mulheres para que as vítimas não desconfiassem e garantia--lhes que sofriam de cancro. Aproveitando o medo que incutia nas vítimas, o homem, de 46 anos, levava as mulheres a fazer quase tudo o que ele queria, dizendo que era uma "consulta telefónica". Alegando ser uma médica do Hospital de São João ou do Instituto Português de Oncologia (IPO) no Porto, levava as mulheres a apalparem-se e inclusive a masturbarem--se. Em alguns casos, forçou as vítimas a filmarem as falsas consultas, que apenas serviam para satisfazer impulsos sexuais perversos.

Sete meses volvidos sobre a primeira queixa, a PSP do Porto deteve o homem em flagrante, quando estava ao telefone com mais uma vítima.

O homem, um vendedor residente em Vila das Aves, Santo Tirso, é casado e nunca levantou suspeitas. Para já, a PSP contabilizou 15 vítimas, todas do Norte, mas admite que poderá haver mais mulheres que não se queixaram.

Tudo começava com um primeiro telefonema para uma vítima, em que o vendedor disfarçava a voz. Apresentava-se como secretária do Serviço Nacional de Saúde e dizia à interlocutora que tinha de ligar para a médica do São João rapidamente, porque havia suspeitas de que sofria de cancro. Muitas vezes em pânico, as vítimas ligavam imediatamente para o número que o predador tinha deixado. Adoptando outra voz e dizendo que era médica, dava início à falsa consulta.

"O homem ligava para números de forma aleatória. Para já, nada nos leva a crer que haja ligação entre as vítimas. Começava a falsa consulta fazendo perguntas, o que lhe permitia obter informação clínica das próprias vítima", explicou ao CM Fernando Silva, da Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto.

Depois de ter satisfeito a perversão, o vendedor convidava as vítimas a irem ao IPO ou ao Hospital de São João para uma consulta mais aprofundada.

Está indiciado por coacção sexual, usurpação de funções, devassa da vida privada e ofensa à pessoa colectiva. O homem foi ontem ouvido no Tribunal de Instrução Criminal e saiu em liberdade.

PEDIU ÀS VÍTIMAS PARA FOTOGRAFAR PARTES ÍNTIMAS

Sempre com o intuito de satisfazer os impulsos, o homem pedia às vítimas que filmassem ou fotografassem várias partes do corpo.

"Quando o telemóvel tinha cobertura 3G, o homem levava as mulheres a gravar a falsa consulta e pedia que lhe enviassem", adiantou ao CM o comissário Fernando Silva, responsável pela Divisão de Investigação Criminal da PSP.

No entanto, na maioria dos casos o homem limitava-se a pedir às mulheres para se apalparem, sem que houvesse fotografias ou filmagens.

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