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Fusão de ciclos acaba com professor único na primária

Estudo do Conselho Nacional de Educação que pode servir de base ao novo formato com um ciclo de seis anos defende que monodocência dê lugar a "equipas educativas estáveis".

27 de março de 2026 às 01:30

Um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE) defende a fusão do 1.º e 2.º ciclo do ensino básico num ciclo único de seis anos, medida que o ministro da Educação anunciou em janeiro e que vai avançar no ano letivo 2027/2028. Neste estudo, que poderá servir de base ao modelo a adotar, o CNE advoga o fim do professor único nos anos iniciais, que passariam a ter também docentes atualmente no 2.º ciclo.

“A verdadeira transformação exige uma nova conceção pedagógica, promotora da transição da monodocência para equipas educativas colaborativas e estáveis”, pode ler-se nas conclusões do documento. Os peritos envolvidos no estudo defendem a “redução do número de interlocutores no 2.º ciclo (pluridocência cooperativa com quatro ou cinco docentes)” e a “instituição da figura do professor tutor ou gestor do currículo, que garanta o acompanhamento integral dos alunos”. Os peritos apontam ainda “a necessidade de transitar de uma coadjuvação passiva para uma colaboração efetiva no planeamento e na sala de aula, permitindo uma gestão integrada do currículo, que dê sentido às aprendizagens e combata a dispersão”.

O novo modelo obrigaria à alteração de três aspetos essenciais. “A transição de um modelo sumativo de avaliação para um de cariz eminentemente formativo e regulador; a necessidade de flexibilização da gestão de recursos humanos, combatendo a rigidez dos concursos que inviabiliza a estabilidade das equipas; e a adequação da formação docente às exigências de um trabalho verdadeiramente interdisciplinar”, refere o CNE, órgão independente a quem compete emitir pareceres e recomendações por iniciativa própria ou em resposta a solicitações da Assembleia da República e do Governo.

O estudo considera que “a atual estrutura/situação promove a perda de identidade do 2.º ciclo e induz uma indesejada colonização do 1.º ciclo por lógicas de disciplinarização e fragmentação de horários”. E conclui que o ciclo inicial de 6 anos é recomendável, não só por colocar Portugal em linha com os países europeus, mas também em nome de “um compromisso inadiável com a qualidade e a equidade no desenvolvimento integral das crianças”.

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