Bastonário e sindicatos dos médicos foram ignorados e acusam Ministério da Saúde de ter querido mudar urgências, listas de espera e recurso a tarefeiros sem ouvir parceiros.
Os representantes dos médicos concordam com a decisão do Presidente da República de devolver ao Governo para aperfeiçoamento os três decretos-lei com alterações de fundo na área da Saúde, depois de terem sido ignorados pelo Ministério da Saúde (MS) na elaboração dos diplomas. “O Governo agiu de forma errada, ao não dialogar com os responsáveis do setor para poder tomar decisões com uma base técnica e não em cima do joelho", afirmou o bastonário dos médicos, Carlos Cortes.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) diz que “o processo negocial foi marcado pela ocultação dos diplomas por parte do MS”, tendo sido partilhados “apenas excertos” das propostas. A FNAM avisa que o diploma das urgências retirava às populações “o acesso a serviços de urgência de proximidade” e que “as medidas punitivas e abruptas” contra os médicos tarefeiros colocariam em risco as urgências e deixariam “vastas regiões do país — em especial no Sul e no Interior — sem resposta assistencial em várias especialidades”.
Também Nuno Rodrigues, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), lamentou não ter tido acesso ao texto completo dos diplomas de criação das urgências regionais e do novo modelo de contratação de médicos tarefeiros. “Não nos surpreende que, não havendo sequer um consenso com os parceiros sociais, o Presidente da República tenha determinado este veto político", afirmou à Lusa.
Num comunicado enviado quinta-feira a alguns jornais, mas não ao CM, o Governo não revelou quais os reparos feitos pelo Presidente, que enquadrou “no habitual diálogo inter-institucional relativo a diplomas do Governo,” mas disse que “procurará identificar oportunidades de aperfeiçoamento” dos diplomas. E termina prometendo que no novo ano “dialogará humilde e construtivamente com os demais responsáveis e atores políticos e setoriais”.
Segunda oportunidade
"Vamos ver se esta segunda oportunidade que foi dada pelo Presidente da República é adequadamente aproveitada por um Governo que tem sido muito inábil na gestão destes temas da saúde. Todos os problemas do Serviço Nacional de Saúde tem a ver fundamentalmente com a falta de recursos humanos, com falta de médicos, e estes três diplomas estão diretamente ligados a isso", disse o bastonário.
Aprovado em outubro
Os diplomas em causa foram aprovados em Conselho de Ministros a 22 de outubro e apresentados pela ministra da Saúde, em conferência de imprensa, dias depois. Desconhece-se se já houve envio formal para o Palácio de Belém.
SIM rejeita urgências
O SIM rejeita o diploma da concentração das urgências de obstetrícia/ginecologia dos hospitais do Barreiro e Setúbal no Hospital Garcia de Orta, Almada, e a construção de um novo centro materno-infantil. Já quanto ao diploma dos centros de elevado desempenho na área de obstetrícia e ginecologia, promulgado por Marcelo, o SIM nunca se opôs.
Marcelo promulgou apenas um diploma
Entre os diplomas de reformas na Saúde, o Presidente promulgou apenas o diploma dos Centros de Elevado Desempenho em Obstetrícia e Ginecologia, que também foi contestado pelos sindicatos. Neste caso, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, no site da Presidência, que esperava que “os consensos mínimos invocados nas condições laborais correspondiam efetivamente à realidade”.
Quatro urgências fechadas
Quatro serviços de urgência vão estar fechados no sábado e três no domingo, todos de obstetrícia e ginecologia, indica o portal do SNS. No sábado estarão encerradas as urgências de obstetrícia e ginecologia dos hospitais de Abrantes, Setúbal e Portimão, assim como a de obstetrícia de Vila Franca de Xira. No domingo, mantêm-se encerradas as urgências dessa especialidade em Portimão, Vila Franca de Xira e Abrantes, mas o serviço de urgência do Hospital de Setúbal estará a funcionar normalmente. O portal do SNS indica ainda que no sábado estarão abertas um total de 125 urgências em todo o país e que seis estarão referenciadas para receber utentes encaminhados pelo INEM. No dia seguinte, serão 126 as urgências gerais, de pediatria e obstetrícia e ginecologia que vão estar de portas abertas e sete estarão condicionadas aos casos referenciados pelo INEM.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.