Calendário apontava para que os testes tivessem lugar até ao final do corrente mês de março.
A Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP) admitiu esta terça-feira que a guerra no Médio Oriente pode atrasar a instalação dos inibidores de sinal na cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre.
Em resposta à Lusa, a DGRSP indicou que "o calendário apontava para que os testes tivessem lugar até ao final do corrente mês de março", mas uma das empresas fornecedoras de equipamentos está localizada no Médio Oriente e, por isso, a atual situação "poderá prejudicar este calendário".
O calendário para ter os inibidores a funcionar na prisão de Vale de Judeus, de onde fugiram cinco reclusos em setembro de 2024, tem sido alterado ao longo dos últimos meses, com atrasos associados a problemas para desalfandegar os equipamentos, ao mau tempo e agora à guerra no Médio Oriente.
A instalação chegou a estar prevista para o final do ano de 2025, tendo o diretor-geral das prisões, Orlando Carvalho, dito logo no início de janeiro, à margem de uma visita às futuras instalações da Delegação Norte da DGRSP, no Porto, que os testes deveriam começar num prazo de 60 dias - até ao final de fevereiro.
Dias depois, a 20 de janeiro, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, explicava o caso na Assembleia da República, dizendo aos deputados que contrato teve de ser feito através de contratação excluída por motivos de segurança e que tiveram problemas para desalfandegar os equipamentos, uma vez que Portugal não produz estes equipamentos e os mesmos foram importados.
Já no mês seguinte, em fevereiro, e depois da passagem da depressão Kristin, a DGRSP indicou numa nota enviada às redações que o processo dos inibidores estava "em fase final de montagem, apesar de ligeiros atrasos decorrentes da intempérie" que se registou no final de janeiro.
Os inibidores de sinal fazem parte de um projeto-piloto que surgiu na sequência da fuga de cinco presos da cadeia de Vale de Judeus, em setembro de 2024, e o objetivo é bloquear os sinais dos telemóveis e dos drones dentro da prisão.
Tal como indicou a DGRSP numa nota enviada, "o equipamento opera de forma controlada, podendo ser ativado ou desativado conforme as necessidades, a partir do próprio estabelecimento ou do centro nacional".
Outra medida de segurança determinada pela tutela foi a construção de duas torres de vigilância, tendo a DGRSP lançado dois concursos que não tiveram nenhum candidato e, segundo as últimas informações prestadas à Lusa, será lançado um terceiro concurso.
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