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"A IA muda tudo. Muda todas as características das práticas médicas até hoje usadas nas cadeias globais de saúde", defende Guilherme Hummel.
O investigador brasileiro Guilherme Hummel defende que, no futuro, o médico será melhor quanto menos diagnosticar sozinho e que o uso da Inteligência Artificial (IA) vai ganhar nova pujança no diagnóstico, antecipando-o e reduzindo o erro.
Autor de várias publicações na área sobre a IA aplicada à saúde, o investigador diz que a inteligência artificial generativa "vai mudar tudo" na relação do utente com os sistemas de saúde, a começar pelo acesso, que ficará facilitado.
"A IA muda tudo. Muda todas as características das práticas médicas até hoje usadas nas cadeias globais de saúde", disse, em entrevista à Lusa, lembrando as curvas demográficas e o aumento de procura na saúde, além da atrofia dos sistemas, sem capacidade para responder a uma população que cada vez vive mais tempo, mas com maior carga de doença.
Confrontado com o receio de muitos pacientes de confiar na IA, temendo mais possibilidade de erro médico, responde: "a média de tempo de atendimento médico está entre sete a 12 minutos [no Brasil]. E o médico tem esse tempo para diagnosticar, o que é que ele faz: pede exames, pois precisa de confrontar o que vê com os dados."
Além de a IA entrar no sistema logo nos exames -- "um hemograma [analise sanguínea] é feito por máquinas" -- é na triagem e no cruzamento de informação que a inteligência artificial ganha mais vantagem: "O banco só quer saber da vida do cliente nos últimos meses ou semanas, mas a medicina não. Ela precisa de todo o historial de 20 ou 30 anos atrás.".
Esse manancial de informação é muito mais rapidamente cruzado usando a tecnologia, chegando às possibilidades de diagnóstico de forma muito mais rápida e com mais precisão. Lembra que a média de precisão de um médico no diagnóstico está entre 30 a 40%, um valor que nos países que mais usam tecnologia passa para entre 40 a 50%.
"Com o apoio da IA, vamos chegar a 2030 e a 2035 a níveis acima de 60%", afirma.
Questionado pela Lusa, não hesita na resposta: "O médico comete muito mais erros porque está sob a pressão da própria comunidade, do sistema, do paciente, da família do paciente. É mais natural que cometa erros." Como exemplo, o investigador que, "hoje, com um simples exame de retina, a IA é capaz de dar 10 a 12 diagnósticos diferentes, de cardiopatia, cardiovascular."
"Grande parte do diagnostico do médico será, no futuro, feito pela máquina. Não tenho a menor dúvida disso", afirma Guilherme Hummel, que vai participar no dia 18 de setembro numa conferência sobre a IA na Saúde, em Lisboa.
Conselheiro na área da saúde digital de diversas organizações, Guilherme Hummel, que trabalha em projetos nesta área de instituições como a Organização Mundial de Saúde ou a Fundação Rockefeller, promete trazer à conferência de Lisboa exemplos do contributo que a IA traz, para médicos e pacientes.
"Vou mostrar um vídeo que mostra um caso de uma doença grave numa criança de nove anos, que é analisada por um médico, que por sua vez chama quatro agentes de diagnóstico [uma espécie de assessores virtuais] em áreas como a imunoterapia, ensaios clínicos ou genética. Cada um dá uma hipótese de diagnóstico consoante a sua base de dados e todos convergem depois para o diagnóstico final", contou.
A última palavra, diz, será sempre do médico, que, no caso exemplificado, pode pedir para o agente virtual lhe mostrar a fonte da informação (literatura ou estudos clínicos) usada e, inclusive, confirmar, lendo os respetivos estudos.
O médico será sempre o responsável pelo diagnóstico, assim como pela intervenção/tratamento a aplicar ao paciente: "Quem assina laudo final [decisão] é o médico. Por isso é que a resistência [à IA] é muito grande."
A conferência em que Guilherme Hummel vai participar decorrerá a 18 de setembro, no Auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, e está integrada no XVI Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão.
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