"É uma honra para os lisboetas, que hoje aqui represento, dizer que vos quero honrar pelo vosso serviço", disse Carlos Moedas.
A Câmara de Lisboa homenageou esta segunda-feira os operacionais do Regimento de Sapadores Bombeiros que estiveram nas operações de busca e salvamento na Turquia, após o sismo que atingiu o país, e decidiu atribuir-lhes a Medalha Municipal de Bons Serviços.
"É uma honra para os lisboetas, que hoje aqui represento, dizer que vos quero honrar pelo vosso serviço, obviamente, honrar pelo vosso profissionalismo, obviamente, mas queria-vos honrar, também, pela vossa humanidade", declarou o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), dirigindo as suas palavras de agradecimento aos 15 operacionais do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) que integram a equipa portuguesa que esteve na Turquia.
Numa cerimónia nos Paços do Concelho, Carlos Moedas homenageou a equipa do RSB de Lisboa, que integrou a Força Operacional Conjunta que representou Portugal na Turquia e que esteve 10 dias, entre 8 e 18 de fevereiro, a participar em operações de busca e salvamento na cidade turca de Antáquia, atingida em 6 de fevereiro por dois fortes sismos.
"Vou atribuir a todos a Medalha Municipal de Bons Serviços e vou fazê-lo no dia da vossa Unidade, no dia 19 de maio", anunciou o autarca, indicando que a decisão foi tomada esta manhã, após proposta do comandante do RSB de Lisboa, Tiago Lopes.
Sem 'stock' de medalhas para agraciar os 15 operacionais, o presidente da câmara atribuiu esta segunda-feira, "simbolicamente", a Medalha Municipal de Bons Serviços a Vitor Machacaz, chefe do RSB de Lisboa que integrou a missão na Turquia.
Carlos Moedas afirmou que a Medalha Municipal de Bons Serviços "é uma medalha de uma importância única, porque é [para] aqueles que conseguiram, em momentos muito únicos, naquele que é o serviço público, naquilo que é o serviço aos outros, honrar todos".
"As imagens que nos chegaram da vossa missão não nos podem deixar indiferentes, a nenhum de nós, pela humanidade dessa vossa missão e, sobretudo, aqueles momentos que penso que foram únicos e que emocionaram os lisboetas e que emocionaram o nosso país, quando esta Força Conjunta, onde o nosso Regimento de Sapadores Bombeiros foi uma grande parte, tiveram a capacidade de fazer aquele salvamento daquela criança", realçou.
O autarca manifestou "um orgulho enorme" no trabalho do RSB de Lisboa, reforçando que "este Regimento de Sapadores Bombeiros é dos melhores do mundo", porque "está extremamente bem preparado" e a prova disso "foi a maneira como executaram esta ação e como foram para esta missão" de busca e salvamento na Turquia, em que a decisão de ir foi imediata: "Foi 'sim, vamos', sem pensar e sem hesitar um minuto".
Com a emoção de quem presenciou 'in loco' a devastação deixada pelo sismo na Turquia, Vitor Machacaz partilhou que durante a missão de busca e salvamento "houve momentos que marcaram a todos", mas "essas imagens não são passadas, essa fotografia fica na mente".
O chefe do RSB de Lisboa sublinhou que a missão na Turquia faz parte do ser bombeiro e "cumprir o dever" de proteção de vidas humanas e bens em perigo, afirmando que não o fazem a pensar em homenagens.
Sobre as operações de busca e salvamento na Turquia, inclusive o resgate de uma criança de 10 anos, Vitor Machacaz disse que "foi uma emoção muito grande", porque "a equipa esteve toda em perigo", com o registo de uma réplica, em que todos tiveram de fugir.
Visivelmente comovido, o chefe do RSB explicou que a equipa portuguesa foi preparada para o que iria encontrar na Turquia: "Só que a devastação era tão grande que não há imagem nenhuma que replique aquilo que sentimos e que vimos".
"Era tenebroso. Famílias à volta de fogueiras, enrolados em cobertores. Toda a gente a fugir da cidade e nós a entrarmos dentro da cidade", contou, referindo que houve alguma dificuldade na comunicação com a população, porque a língua turca é bastante difícil, mas quando a equipa portuguesa falava de Cristiano Ronaldo os turcos "mudavam completamente a forma de estar".
O terramoto de 06 de fevereiro, com epicentro em território turco, e ao qual se seguiram várias réplicas, fez pelo menos 44 mil mortos e mais de 100 mil feridos na Turquia e na Síria, números ainda provisórios e que deverão continuar a aumentar.
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