Entre 2019 e 2024 foram adotadas 1.078 crianças portuguesas, das quais pelo menos 35 foram integradas em famílias que vivem no estrangeiro, em países como Malta, Bélgica, em França, Brasil e Itália.
Uma investigadora da Universidade do Porto disse esta quarta-feira que a maioria das crianças portuguesas propostas para adoção internacional tem necessidades específicas por falta de famílias, em Portugal, que adotem menores com estas características.
"As crianças portuguesas que são propostas para a adoção internacional, são as crianças que têm certas características que fazem com que não haja candidatos cá [em Portugal]", disse à Lusa a investigadora e também professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Maria Barbosa Ducharne, dando como exemplo atrasos no desenvolvimento.
Maria Barbosa Ducharne disse que as crianças portuguesas adotadas no estrangeiro por norma têm "atrasos graves de desenvolvimento", doenças, "limitações de outra ordem" e enfrentam "situações realmente mais desafiantes para as quais" não é possível encontrar uma família em Portugal.
Maria Barbosa Ducharne resalvou, no entanto, que a adoção internacional "tem pouca expressão em Portugal".
Entre 2019 e 2024 foram adotadas 1.078 crianças portuguesas, das quais pelo menos 35 foram integradas em famílias que vivem no estrangeiro, em países como Malta, Bélgica, em França, Brasil e Itália, segundo os Relatórios Anuais de Atividades do Conselho Nacional para a Adoção, órgão que congrega todos os organismos de Segurança Social para intervir em matéria de adoção de crianças.
"Em Portugal também temos famílias disponíveis para adotar crianças com algumas necessidades especiais e com algumas características específicas mas há muito mais candidatos que pretendem uma criança sem problemas de saúde, e sem atrasos de desenvolvimento e sem exigências acrescidas", explicou Maria Barbosa Ducharne, organizadora da 9.ª conferência internacional sobre investigação em adoção, (ICAR9, na sigla em inglês), que decorre até sexta-feira no Porto.
A investigadora disse que as crianças com estas características "podem ter comportamentos que exigem uma melhor comunicação entre os pais que vão adotar e a criança que vem a ser adotada", uma vez que, normalmente "são crianças com algumas alterações na trajetória de desenvolvimento".
A investigadora referiu ainda que "as dificuldades de comunicação numa língua estrangeira ainda se acentuam mais".
Segundo Maria Barbosa Ducharne, para estas crianças "pode ser mais desafiante" compreender o processo de adoção, indicando que podem ter dificuldades de regulação emocional e de conduta.
A investigadora disse que quando não é encontrada uma família em Portugal para adotar a criança "há um anúncio junto de várias agências de adoção internacional", onde a criança é apresentada com as características específicas.
A adoção internacional só é permitida quando é impossível encontrar uma família para a criança no seu país de origem e exige a participação e colaboração obrigatória das autoridades centrais dos países envolvidos. A colaboração entre a Autoridade Central para a Adoção Internacional, gerida pelo Instituto da Segurança Social, e outras autoridades, nomeadamente diplomáticas e policiais, também é obrigatória.
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