61,8% das mortes ocorreram em mulheres com idades consideradas de risco para uma gravidez.
Mais de metade das mortes maternas (na gravidez ou até 42 dias após fim da gravidez) registadas entre 2020 e 2024 ocorreram em mulheres com 35 ou mais anos, confirmando o aumento do risco com a idade, segundo um relatório.
O Rácio de Mortalidade Materna (RMM) naqueles cinco anos foi de 13,1 mortes por 100.000 nados-vivos, registando-se 55 mortes maternas, com variações anuais do RMM entre 8,8 e 20,0 mortes por 100.000 nados vivos nesse período, segundo um relatório da Direção-geral de Saúde (DGS) divulgado esta quarta-feira.
Os dados revelam que 61,8% das mortes ocorreram em mulheres com idade igual ou superior a 35 anos, confirmando um gradiente etário consistente, com aumento progressivo do risco de morte materna nas idades mais avançadas.
Este padrão foi igualmente observado na análise dos RMM por grupo etário, com valores particularmente elevados no grupo com idades superiores a 39 anos.
A análise da residência, nacionalidade e naturalidade das 55 mortes maternas naqueles cinco anos mostra que 98,2% das mulheres residiam em Portugal, 80% eram de nacionalidade portuguesa e 18,2% de nacionalidade estrangeira.
Relativamente ao RMM por nacionalidade, entre 2020 e 2024, registaram-se RMM idênticos entre mulheres de nacionalidade portuguesa e estrangeira (12,9 por 100.000 nados-vivos).
Já quanto ao momento do óbito, o relatório indica que 49,1% das mortes ocorreram nos 42 dias após o término da gravidez e 41,8% durante a gravidez.
Quase metade (49,1%) dos óbitos foram classificados como mortes maternas diretas e 50,9% como indiretas, estando estas últimas maioritariamente associadas a distúrbios hipertensivos da gravidez, parto e puerpério e a outras complicações obstétricas (33,3% cada), sobretudo nos grupos etários dos 30 aos 39 anos.
As mortes indiretas estiveram associadas, principalmente, a doenças do aparelho circulatório (57,1%), com maior concentração nas idades iguais ou superiores a 35 anos, embora com padrões etários distintos para outros grupos de causas como as doenças do aparelho digestivo, mais frequentes em idades maternas mais jovens.
Os resultados apresentados no relatório apontam para uma relação com a idade materna avançada, com a presença de comorbilidades prévias e com a complexidade clínica da gravidez e do puerpério, sublinhando a necessidade de estratégias integradas de prevenção, vigilância e cuidados diferenciados ao longo de todas as etapas da vida reprodutiva.
O aumento da idade materna, o aumento das comorbilidades e a crescente complexidade clínica das gestações colocam novos desafios aos sistemas de saúde, conclui a DGS, destacando que a análise quinquenal se revela fundamental para uma leitura mais estável e consistente do fenómeno.
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