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Correio da Manhã

Sociedade
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Médicos abandonam urgências para ganhar mais no privado

MP acusa profissionais de registarem presença no hospital público mas exercerem no privado.
Bernardo Esteves 29 de Maio de 2019 às 09:03
Casos aconteceram no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
Hospital Pedro Hispano
Hospital Pedro Hispano
Casos aconteceram no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
Hospital Pedro Hispano
Hospital Pedro Hispano
Casos aconteceram no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
Hospital Pedro Hispano
Hospital Pedro Hispano
Três médicos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, foram acusados pelo Ministério Público por terem abandonado esta unidade pública dezenas de vezes para exercer em unidades privadas.

Um dos médicos abandonou mesmo o serviço de Urgência do Hospital Pedro Hispano em quatro dias que estava escalado, para efetuar atendimento permanente no Hospital CUF do Porto. "Tal conduta é especialmente censurável", considerou o Ministério Público na acusação, à qual o CM teve acesso.

Os três médicos foram acusados de abuso de poder, punido com pena de prisão até 3 anos.

Segundo a acusação, os médicos deslocavam-se de manhã ao Hospital Pedro Hispano para fazer o registo biométrico e depois ausentavam-se para exercer em unidades privadas como o Hospital da CUF e Hospital da Boa Nova, onde realizavam cirurgias e consultas.

Ao fim do dia, voltavam ao Pedro Hispano para o registo biométrico de saída, como se ali tivessem estado sempre.

São acusados de "violar os deveres inerentes às suas funções" para obter benefícios ilegítimos, pondo em causa a prestação de cuidados aos utentes do Pedro Hispano.

Pormenores
Ausentaram-se 113 vezes
Um dos médicos abandonou o Pedro Hispano para exercer no privado por 65 vezes, outro fê-lo em 45 ocasiões e o terceiro por três vezes. Os factos ocorreram entre 2011 e 2013.

"Enorme mal ao País"
A acusação fala em práticas "causadoras de um enorme mal ao País". Dois destes médicos rescindiram com a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, que integra o Pedro Hispano.

Desvio de doentes para cirurgias não provado
Os três médicos eram também suspeitos de fazer diagnósticos errados para que os utentes fossem "desviados" para serem operados no privado.

O Ministério Público não encontrou "indícios suficientes" para os acusar.
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