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Menopausa cria na mama ambiente favorável ao desenvolvimento de células cancerígenas

Estatísticas indicam que cerca de 80% das mulheres que desenvolvem cancro da mama têm mais de 50 anos.

31 de março de 2026 às 13:19

As alterações que a menopausa produz nas mamas criam um ambiente favorável ao desenvolvimento, fixação e propagação de células cancerígenas, tornando as mulheres mais propensas a desenvolver tumores a partir desta fase, indica um estudo divulgado esta terça-feira.

As estatísticas indicam que cerca de 80% das mulheres que desenvolvem cancro da mama têm mais de 50 anos, revelando o estudo publicado esta terça-feira na revista Nature Aging as mudanças no tecido mamário que aumentam esta vulnerabilidade.

Uma equipa de investigadores no Canadá e no Reino Unido criou o mapa mais detalhado até à data das alterações relacionadas com a idade sofridas pelos três milhões de células que compõem o tecido mamário de uma mulher, destacando as mudanças drásticas que ocorrem com a queda da hormona estrogénio provocada pela menopausa, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Foram analisadas mamografias e biópsias de mais de 500 mulheres, com idades entre os 15 e os 86 anos, realizadas no âmbito de mamoplastias redutoras.

À medida que as mulheres envelhecem, todos os tipos de células diminuem em número e se dividem com muito menos frequência, criando a mudança da estrutura do tecido mamário um microambiente mais favorável para as células cancerígenas, indica o trabalho.

As estruturas produtoras de leite na mama, conhecidas como lóbulos, encolhem ou desaparecem e as células de gordura aumentam, enquanto os vasos sanguíneos diminuem, explicam os autores.

"Ao mesmo tempo, ocorrem alterações no ambiente imunitário: as mamas mais jovens têm mais células B e células T ativas, o que as ajuda a identificar e destruir as células cancerígenas e a impedir a sua propagação", refere a EFE.

De acordo com o estudo, à medida que o tecido envelhece, aqueles tipos de células imunitárias diminuem em número e são substituídas por outras que criam um ambiente imunitário mais inflamatório e potencialmente menos protetor contra as células mutantes, que encontram um assim contexto mais favorável para a formação de tumores.

"O nosso mapa revela as razões pelas quais o risco de cancro da mama aumenta com a idade e explica porque é que os tumores nas mulheres mais jovens diferem biologicamente", afirma um dos autores, Pulkit Gupta, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, citado pela EFE.

Gupta acrescenta que, embora tenham sido observadas "alterações nas mulheres na casa dos 20 anos, possivelmente relacionadas com a gravidez e o parto, as alterações mais drásticas no tecido mamário ocorrem durante a menopausa".

Samuel Aparicio, outro autor, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá (Canadá), sublinha que, embora "já tivesse sido observado nas células secretoras de leite da mama efeitos das alterações na atividade do estrogénio relacionadas com a idade, a surpresa foi constatar que estas alterações afetam todos os tipos de células do tecido mamário, incluindo as células imunitárias".

O cancro da mama é o cancro mais frequentemente diagnosticado nas mulheres e é responsável por 1 em cada 4 casos anuais da doença em todo o mundo, indica o 'site' da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

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