Resposta ao recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro provou a necessidade de os países trabalharem em conjunto.
A ministra da Saúde sublinhou esta quinta-feira que as "ameaças e crises sanitárias transfronteiriças são uma realidade" e que a resposta "tão rápida" ao surto de hantavírus só foi possível por terem sido retirados ensinamentos da pandemia.
"Hoje é mais do que evidente que ameaças e crises sanitárias transfronteiriças são uma realidade e nada mais ficou igual depois da pandemia", disse Ana Paula Martins, em declarações à Lusa em Madrid, no final da XVII Conferência Ibero-Americana de Ministras e Ministros da Saúde.
A resposta ao recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro provou a necessidade de os países trabalharem em conjunto, partilharem informação e "não só ao nível europeu, como intercontinental", sublinhou a ministra da Saúde de Portugal.
Ana Paula Martins explicou que "assim que foi detetado" o surto no navio "Hondius" foram de imediato acionados os alertas de todas as agências de saúde europeias e internacionais e colocado em marcha um processo de identificação e isolamento de casos e também de proteção de contactos com infetados, num rastreio a nível global.
"Isto é um ensinamento da pandemia. Já sabíamos, mas não esquecemos que a saúde é global", afirmou.
"Esta resposta tão rápida hoje só é possível porque vivemos uma pandemia, aprendemos muito com pandemia. E cada vez que há um surto destas características, há novas aprendizagens e estaremos mais preparados para o surto seguinte. Porque sabemos que vão continuar a acontecer este tipo de situações", acrescentou Ana Paula Martins.
A prevenção, preparação e resposta a emergências sanitárias foi um dos pontos da reunião interministerial desta quinta-feira em Madrid, um encontro preparatório da cimeira ibero-americana deste ano, que se realizará em novembro na capital espanhola.
Ana Paula Martins destacou, neste âmbito, a importância de ser fomentada e aprofundada a coordenação a nível ibero-americano e como pode haver uma ponte, através de Portugal e Espanha, com os instrumentos de resposta a crises e emergências sanitárias já desenvolvidos pela União Europeia, em benefício dos outros estados-membros desta comunidade.
Além desta questão, os ministros e ministras da Saúde querem colocar na agenda da cimeira de chefes de Estado e de Governo ibero-americanos a promoção da saúde mental, com reforço de mecanismos de prevenção, diagnóstico e tratamento; a necessidade de responder à falta de profissionais de saúde na generalidade dos países, através de um impulso à formação; e a produção e acesso a medicamentos em todos os estados-membros.
A conferência de ministros e ministras teve um encontro prévio, também hoje, dedicado às doenças raras, presidido pela rainha de Espanha, Letizia Ortiz.
São "doenças raras ou desatendidas", "muito difíceis de diagnosticar e, sobretudo, de tratar" que afetam 45 milhões e pessoas na comunidade ibero-americana, como realçou o secretário-geral da comunidade de países ibero-americanos, Andrés Allamand, numa conferência de imprensa.
A ministra da Saúde portuguesa explicou que durante o encontro todos os países consideraram esta questão das doenças raras prioritária e que uma maior cooperação e coordenação será benéfica para o conjunto da comunidade ibero-americana, nomeadamente, através, por exemplo, da criação de centros de referência ou com um sistema de acesso a medicamentos que são muito caros.
Do encontro desta quinta-feira saiu uma "Declaração de Madrid" subscrita pelos ministros e ministras da saúde dos estados-membros da comunidade de países ibero-americanos, que serve de preparação à cimeira de chefes de Estado e de Governo de novembro.
Integram esta comunidade, coordenada pela Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB), 22 países, 19 da América Latina e três da Península Ibérica (Portugal, Espanha, e Andorra).
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