Plano de Emergência do hospital de Portalegre foi acionado devido a danos em acessos àquela unidade.
Habitantes e empresários da avenida de Portalegre mais afetada pelo 'mar de lama', com pedras à mistura, vindo esta quinta-feira da Serra de São Mamede, devido à depressão Leonardo, estão ainda sem perceber a dimensão dos prejuízos.
Pelas 11h00, enquanto a Proteção Civil, funcionários municipais e alguns populares removiam viaturas danificadas e limpavam a via na Avenida de Santo António, Armindo Trindade, que reside naquela artéria, relatou à agência Lusa que, durante a madrugada, enquanto foi à casa de banho, ouviu um "estrondo muito grande".
Após escutar esse som, voltou a deitar-se, uma vez que "pensava tratar-se do carro do lixo", mas o barulho, "um bocado estranho persistia" e, pouco tempo depois, deu pelos prejuízos ocorridos na rua, após ter sido alertado por familiares.
"Nunca tinha visto nada assim, já vivo aqui há 30 anos, mas nunca tinha visto uma coisa destas", sublinhou.
Já Andrenalina Trindade, também residente naquela avenida, contígua ao hospital de Portalegre, disse à Lusa que deu pela situação após escutar "gritos de uma vizinha".
"Quando cheguei à janela dei com este cenário, com os carros todos amontoados, onde está também o carro do meu filho", relatou, explicando que a água passou por cima da viatura e que esta está toda suja.
A mesma habitante, que considerou a situação "inédita" na cidade, afirmou esperar agora saber o estado em que se encontra a sua viatura, que deixou estacionada num parque subterrâneo do prédio.
Na mesma avenida existem também algumas empresas, nomeadamente clínicas de saúde, tendo uma delas sido afetada, pelo que está encerrada.
Em declarações à Lusa, Carlos Bagulho, sócio-gerente do Consultório Médico Dentário do Norte Alentejano, disse desconhecer para já os prejuízos sofridos, uma vez que não consegue ter acesso ao interior do espaço.
"Além do que se vê à porta, que é este 'mar de lama' que aqui está, o muro das traseiras ruiu, creio que a clínica está inundada e todo o equipamento que lá está, coisas eletrónicas, deve estar tudo cheio de água", lamentou.
Carlos Bagulho acrescentou ainda que se adivinham "prejuízos muito avultados", além de que a clínica, onde trabalham mais de 30 pessoas, deverá ficar encerrada "durante muito tempo".
Dezenas de automóveis sofreram hoje danos e outros foram arrastados em Portalegre pela força da água, lama e pedras provenientes da Serra de São Mamede, na sequência da tempestade Leonardo.
Em declarações à Lusa, ao início da manhã, a presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho disse que estava "espalhado o caos" nas avenidas de Santo António (lateral ao hospital) e Liberdade e na zona do Rossio, onde se registaram inundações e ficou acumulada "muita lama".
"Vieram da serra (água, lama e pedras), arrastaram carros, isto é o caos", alertou.
A autarca explicou que, por volta das 08h00, a Proteção Civil e os serviços municipais já estavam a desenvolver operações de limpeza e a desobstruir vias na zona do Rossio.
Também contactada pela Lusa, fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e proteção Civil do Alto Alentejo especificou que as zonas mais atingidas da cidade foram a Avenida de Santo António e também a entrada principal do hospital.
"A ribeira galgou as margens e essa inundação fez literalmente os carros virem barreira abaixo", arrastando veículos, detritos e pedras, disse a mesma fonte, revelando que a entrada principal do hospital "ficou inoperacional".
O Plano de Emergência do hospital de Portalegre foi acionado, devido a danos em acessos àquela unidade, disse à Lusa o porta-voz da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo, Ilídio Pinto Cardoso, que frisou não existir qualquer ferido causado pelo mau tempo.
Segundo a mesma fonte, "apenas pelo lado do Serviço de Urgência" é possível aceder ao hospital, ou seja, através da Avenida Pio XII, "mas com alguns constrangimentos".
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das tempestades Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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