Apesar deste aumento, após as descidas nos dois anos anteriores, o número ainda se mantém abaixo do valor registado em 2019.
Quarenta e uma pessoas morreram no ano passado por intoxicação alcoólica, mais 32% do que no ano anterior, revela o Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Álcool 2021 esta quarta-feira divulgado.
Apesar deste aumento, após as descidas nos dois anos anteriores, o número ainda se mantém abaixo do valor registado em 2019, refere o documento que está esta quarta-feira a ser apresentando na Assembleia da Republica pelo diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) João Goulão, e pelo subdiretor, Manuel Cardoso.
Além destas 41 mortes, foram registados mais 973 óbitos positivos para o álcool e com informação da causa de morte, 34% foram atribuídos a morte natural, 32% a acidente, 12% a suicídio e 4% a intoxicação alcoólica.
Cerca de 32% destes óbitos foram positivos só para o álcool, e em 39% foram detetados só álcool e medicamentos, sobretudo benzodiazepinas.
Das 148 vítimas mortais de acidentes de viação que estavam sob a influência do álcool, 82% eram condutores, 13% peões e 5% passageiros.
"Após a relevante quebra em 2020, em 2021, ainda com períodos de restrições à circulação impostas pela pandemia, voltou a aumentar o número destas vítimas (+19%), embora ainda com valores inferiores aos de 2016-2019, quando houve um aumento contínuo, com o valor de 2019 a ser o mais elevado de 2013-21", lê-se no relatório.
Em 2021, estiveram em tratamento no ambulatório da rede pública 13.242 utentes com problemas relacionados com o uso de álcool. Dos 4.478 que iniciaram tratamento no ano, 1.320 eram readmitidos e 3.158 novos utentes.
Segundo o relatório, o número de utentes em ambulatório aumentou 4% no ano passado, após a descida em 2020 (o valor mais baixo desde 2016), estando ainda um pouco aquém dos valores pré-pandemia.
Os que iniciaram tratamento no ano aumentaram 28% face a 2020, sendo o acréscimo de novos utentes (29%) próximo ao de readmitidos (26%), contrariamente ao ano anterior, em que a descida foi "bem mais acentuada" nos novos utentes (-28% nos novos e -11% nos readmitidos).
"Face a esta evolução, o número de readmitidos em 2021 ultrapassou os níveis pré-pandémicos representando o valor mais elevado desde 2012, mantendo-se o número de novos utentes ainda um pouco inferior", sublinha o relatório do SICAD.
Os internamentos em Unidades de Alcoologia/Unidades de Desabituação aumentaram 40% relativamente a 2020, ano em que se verificou um decréscimo relevante devido à pandemia, após a tendência de estabilização entre 2017-19. Apesar deste aumento, os números ainda estão "muito abaixo" dos registados antes da pandemia.
Também nas Comunidades Terapêuticas houve um acréscimo de 13% dos internamentos, após a descida em 2020 que quebrou o aumento desde 2013, atingindo já os números antes da pandemia.
Os dados adiantam que foram internados 4.703 doentes cujo diagnóstico principal era atribuível ao consumo de álcool, na sua maioria relacionados com doença alcoólica do fígado (69%) e dependência de álcool (19%).
"Verificou-se uma subida destes internamentos (+14% em Portugal Continental) após a quebra em 2020, embora continuem aquém dos valores de 2018 e 2019, anos com aumentos dos internamentos e os valores mais altos do período 2017-2021", indica o documento.
Com os diagnósticos secundários, os internamentos passam a ser bastante superiores (39.874), atingindo em 2021 os valores mais altos dos últimos cinco anos.
Também os indicadores de problemas sociais/legais registaram aumentos em 2021, após as descidas sofridas em 2020 devido à pandemia.
Em 2021 houve 545 diagnósticos principais relativos a comportamentos relacionados com o consumo de álcool que afetam o bem-estar e desenvolvimento da criança (+18% face a 2020), 51 em que a criança ou jovem assume esses comportamentos (+24%) e 494 em que são expostos a eles (+18%).
"Após a diminuição destas sinalizações e diagnósticos em 2020, os valores aumentaram em 2021, com as sinalizações e diagnósticos de exposição da criança/jovem àqueles comportamentos a atingir os valores mais elevados dos últimos cinco anos", acrescenta.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.