No silêncio dos mosteiros de clausura escutam-se histórias de quem sonhou outras vidas, como seguir no ramo da restauração ou das artes.
No silêncio dos mosteiros de clausura escutam-se histórias de quem sonhou outras vidas, como seguir no ramo da restauração ou das artes, mas que, numa viragem radical optou por uma existência de oração e reclusão.
"Eu ouvia falar dos monges, mas a minha vida era do outro lado da montanha", disse à agência Lusa o abade do Mosteiro de Singeverga, Bernardino Costa, natural de Vizela.
Um dia, visitou o mosteiro e a resposta que recebeu de um monge à pergunta sobre qual o carisma dos beneditinos, caiu-lhe como uma flecha: "Nós procuramos viver como as primeiras comunidades cristãs".
Aquela frase traçou-lhe o destino e Bernardino Costa decidiu ingressar na vida monástica, acreditando que ali conseguiria realizar todos os seus sonhos. Antes de ser monge namorou e teve vários projetos de vida, um dos quais era abrir o seu próprio restaurante.
"Namorei antes de entrar no seminário e, claro, o namoro e o casamento não desaparecem da cabeça de um dia para outro", admitiu, reconhecendo que depois de algumas hesitações, que considera fazerem parte do caminho religioso, decidiu abraçar a vocação definitivamente.
Em 2001, fez a profissão monástica solene. Apesar de ser um dos irmãos mais novos - tem 46 anos - foi eleito pela comunidade para ser o seu superior.
As funções que desempenha exigem uma proximidade diferente da que existia no passado, uma vez que a antiga tradição levava o abade a um distanciamento dos restantes irmãos. Hoje, "todos fazem um pouco de tudo no mosteiro", disse este monge que se confessa "feliz" na vocação que abraçou e não esconde acreditar que ainda vai a tempo de abrir um restaurante no mosteiro.
"Juntar este tipo de serviço à hospedaria faz todo o sentido, porque os beneditinos têm o dever de receber os hóspedes como se fossem o próprio Cristo", afirmou. Até lá, continuará a desenvolver mais ideias como novos tipos de encadernação, a par da oficina de madeiras.
Um pouco mais a sul, há 11 e quatro anos, o Mosteiro de Santa Beatriz de Viseu acolheu duas jovens, Leonor e Inês, ambas a lembrarem que, durante a infância, Deus sempre fez parte das suas vidas em casa, na escola, nas suas férias em campos e retiros.
Apesar de parecer "um Deus de fim de semana" na adolescência, ambas as jovens sentiram a falta de algo mais, apesar das muitas incertezas.
Para a irmã Leonor, com 31 anos e natural de Sintra, bastou um campo de férias para cessar as suas dúvidas, mas espoletar outro tipo de desconforto. "Voltei de lá bastante mudada e com uma alegria muito grande. O que é que ali havia de diferente do resto do ano?", questionou.
Leonor ingressou na Faculdade de Belas-Artes em Vídeo e Multimédia, mas a religião sempre a acompanhou nos seus estudos, com as lições de catequese e os campos de férias que animava, com vista a "responder às inquietações".
E acabou por "encontrou alegria" no que poderia ser um desagrado de ter de acompanhar uma rapariga com deficiências motoras num acampamento. Ao querer ajudar os fragilizados em toda a parte, percebeu que querer tudo ao mesmo tempo não seria possível. Entre dar catequese ou fazer missões em África, haveria sempre uma que poderia escapar e, nessa lógica, concluiu que "a oração era a maneira de poder chegar a todo o lado" e deu conta de "que existia a vida contemplativa".
Já para a religiosa Inês, de 22 anos, de Torres Vedras, bastou uma conversa com um colega de escola seminarista para despertar o "terror" da vida consagrada. "A ideia que se tem de freiras é diferente, a perceção dos filmes, muito escura, muito tétrica", observou.
Leonor reconheceu, também, que "a primeira ideia de ir para um convento é assustadora e pensa-se: 'não, que horror, eu não quero ir para freira e ficar lá fechada a vida toda'".
A curiosidade, porém, foi mais forte e, depois de as ter impelido à visita a mosteiros, traçou-lhes o caminho.
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