Diocese de Angra convidou o Santo Padre para se deslocar aos Açores em 2034.
O núncio apostólico em Portugal disse esta segunda-feira que as agendas do Papa "não são fáceis", mas a Diocese de Angra, que convidou o Santo Padre para se deslocar aos Açores em 2034, terá nele "um bom advogado".
Andrés Carrascosa Coso, que se encontra em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, a participar nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, disse aos jornalistas que o convite do bispo da diocese "foi feito e 500 anos são 500 anos".
Segundo o portal Igreja Açores, no sábado, no final da Procissão da Mudança da Imagem, o bispo de Angra, Armando Esteves Domingues, lançou o convite ao Santo Padre para visitar os Açores para "assinalar os 500 anos da criação da Diocese em 2034".
A sugestão já tinha sido deixada na Assembleia Conjunta dos Conselhos Presbiteral e Pastoral Diocesano em 2025 e, no sábado, o prelado diocesano, sublinhou-a na presença do núncio apostólico da Santa Sé em Portugal, referindo que a data do jubileu diocesano poderia ser "uma oportunidade" para o Papa estar nos Açores.
Esta segunda-feira, em declarações aos jornalistas, Andrés Carrascosa Coso, referiu que "as agendas do Papa não são fáceis" e esclareceu que "não é uma Diocese que convida", mas sim uma Conferência Episcopal.
"E depois, a nível mundial, todo o mundo está a convidar o Papa para todo o ano. Nós, no continente, quando cheguei, quando fui nomeado, falaram-me, 'olha, no ano que vem são 110 anos das Aparições de Fátima, são 10 anos da canonização dos pastorinhos, são 500 anos da existência de uma Nunciatura Apostólica fixa em Lisboa'", lembrou.
Devido a tudo isso, disse não saber se o convite para uma deslocação de Leão XIV aos Açores "vai fazer com que possa entrar ou não numa agenda papal do ano 2027".
"Essas coisas não são [assim] tão fáceis. [Mas] que vão ter um bom advogado, vão ter um bom advogado. Bom, não sei, pelo menos no sentido de que vai apoiar, vai apoiar. Depois vamos ver. São coisas muito complexas", afirmou Andrés Carrascosa Coso.
O núncio apostólico garantiu, no entanto, que voltará aos Açores, porque da sua "missão de representar o Santo Padre faz parte também este conhecer, porque quem não conhece não ama".
"Isso ajuda a conhecer, respeitar a cada povo, cada diocese, cada região. E aqui, vocês [nos Açores] são uma diocese, com nove ilhas, que não é fácil, porque já me foram falando das tradições de uma ilha e de outra. Eu vou tentar conhecer", explicou.
Andrés Carrascosa Coso acrescentou que, desta vez, não veio "tanto para falar", mas "mais para conhecer, escutar".
"Por exemplo, tive momentos muito bonitos de diálogo com a vida consagrada, com os padres. Vou voltar, sim", concluiu.
Sobre a participação, pela primeira vez, nas Festas do Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, onde esteve como peregrino, o núncio apostólico, nomeado pelo Papa em dezembro de 2025, relatou que ficou sensibilizado com a procissão realizada na tarde de domingo.
As festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres - consideradas a segunda maior manifestação religiosa do país depois das peregrinações a Fátima -, decorrem até quinta-feira e tiveram no fim de semana o seu ponto alto.
Os festejos, que têm por referência a imagem do "Ecce Homo", realizam-se no quinto domingo a seguir à Páscoa, e levam anualmente até São Miguel milhares de peregrinos oriundos das nove ilhas dos Açores, do continente, dos Estados Unidos da América e do Canadá.
As celebrações deste ano foram presididas pelo cardeal António Marto, bispo emérito da diocese de Leiria-Fátima, e contaram também com a presença do núncio apostólico em Portugal, Andrés Carrascosa Coso, nomeado pelo Papa Leão XIV em 11 de dezembro e que visitou pela primeira vez os Açores.
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