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"O oceano é a base da vida na Terra. Mas a sua saúde está gravemente ameaçada", escrevem os autores do relatório científico.
A situação dos oceanos está a "agravar-se", alertou esta segunda-feira a ONU, apelando a uma "ação urgente" dos países face ao aquecimento acelerado, à poluição e às ameaças da vida marinha.
A ONU apresentou esta segunda-feira, Dia Mundial dos Oceanos, um relatório científico que juntou centenas de cientistas ao longo de vários anos, a terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA III), um documento de 1.350 páginas.
"O oceano é a base da vida na Terra. Mas a sua saúde está gravemente ameaçada, uma vez que os ecossistemas e os habitats estão a aproximar-se ou a ultrapassar pontos críticos de inflexão", escrevem os autores do relatório, para o qual contribuíram 600 cientistas de 86 países.
No preâmbulo desta terceira avaliação, que se centra no período entre 2018 e 2023, os autores afirmam que "as suas conclusões exigem uma ação urgente".
"Não podemos continuar a considerar o oceano como um recurso inesgotável", comentou o secretário-geral da ONU, António Guterres, citado num comunicado.
"Este relatório deve servir como um alerta urgente", reagiu também a organização ambientalista Greenpeace em comunicado, apelando à "criação de santuários marinhos totalmente protegidos que proíbam toda a atividade humana de exploração", referindo-se à pesca industrial e à mineração em águas profundas.
O relatório destaca as múltiplas "pressões" que os oceanos enfrentam, as quais estão a alterar as suas propriedades físicas e químicas, desde as alterações climáticas e a poluição até ao crescimento populacional, numa altura em que 37% da população mundial vive a menos de 100 quilómetros da costa.
Uma das consequências é o aquecimento acelerado: 16% de todo o aquecimento oceânico dos últimos 70 anos ocorreu depois de 2018. Embora desempenhem naturalmente um papel crucial como amortecedor climático, absorvendo o excesso de calor, os oceanos enfrentam agora uma acidificação crescente, observa o relatório.
Este aquecimento também acelera a subida do nível do mar através da expansão oceânica, além do degelo. De uma média de dois milímetros por ano antes de 2015, a subida do nível do mar aumentou para 4,3 milímetros por ano em 2023.
Os autores observam ainda que, até 2035, a possibilidade de um Oceano Ártico sem gelo no final do verão é considerada viável.
Segundo o documento, alguns contaminantes históricos, como o mercúrio, parecem estar a diminuir, mas outros estão a aumentar, incluindo produtos de limpeza, resíduos de medicamentos como antibióticos e, principalmente, plástico, cujas partículas mais pequenas afetam mais de 4.000 espécies.
Todos os anos, 52,1 milhões de toneladas de plástico acabam no oceano, gerando 24,4 triliões de partículas nas camadas superficiais dos oceanos, detalha o relatório.
Desde o branqueamento de corais devido ao aumento das temperaturas até à sobrepesca e às tartarugas vítimas do plástico, o relatório enumera as muitas espécies e habitats em risco.
As pressões humanas e climáticas estão a ter efeitos "cada vez mais pronunciados" em toda a biodiversidade marinha, "desde os microrganismos aos mamíferos marinhos e das planícies abissais às zonas costeiras", detalha o documento.
O progresso nas políticas de conservação, na regulamentação e na cooperação internacional é "crucial", afirmam os autores.
Ao descreverem a adoção do Tratado do Alto Mar, que entrou em vigor em janeiro, como um "passo decisivo", os autores dizem que "o desafio continua a ser o de superar a fragmentação" entre os Estados e os interesses setoriais, numa altura em que o multilateralismo enfrenta desafios significativos.
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