page view

Petição exige suspensão da exigência de recibo para acesso ao Subsídio de Mobilidade

Petição lançada por residentes nos Açores já foi subscrita por mais de 2.600 pessoas.

10 de março de 2026 às 20:25

Uma petição subscrita por mais de 2.600 pessoas exige a suspensão da exigência de recibo para a atribuição do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) na plataforma eletrónica, situação que tem "criado obstáculos injustificados à mobilidade".

Na petição disponível 'online', consultada pela agência Lusa, os peticionários dirigem-se ao presidente da Assembleia da República para criticar o "atual funcionamento da plataforma eletrónica" do SMM, que "passou a exigir a apresentação de recibo ou fatura-recibo como condição para atribuição do subsídio".

"Essa exigência não está prevista na legislação aplicável, criando obstáculos injustificados à mobilidade dos cidadãos residentes nas regiões autónomas e afetando negativamente o funcionamento do mercado", defendem.

A petição, lançada por residentes nos Açores, alerta que a exigência da apresentação de recibo "tem provocado dificuldades reais no acesso ao apoio", o que "coloca em causa o princípio da continuidade territorial e a igualdade entre cidadãos".

"Esta exigência produz efeitos concretos restritivos da mobilidade, na medida em que impede a utilização de procedimentos correntes de aquisição de viagens, designadamente a emissão de bilhetes a crédito pelas agências de viagem, ao contrário do que sucede com qualquer relação comercial de fornecimento de bens ou serviços", explicam.

Segundo dizem, aquela "modalidade de aquisição" de viagens é "frequentemente utilizada" por residentes que "necessitam de se deslocar ao continente em situações de urgência médica, familiar ou profissional e associativos".

Os peticionários pedem para que "seja determinada a suspensão imediata da exigência de apresentação de recibo ou fatura-recibo como condição para o acesso" ao SSM, já que aquele requisito "constitui uma imposição administrativa sem base legal".

Na petição, defende-se que o pedido do subsídio "possa ser instruído com fatura" e com a possibilidade de "apresentação de prova efetiva de pagamento no prazo máximo de 15 dias após a atribuição do subsídio".

A petição alerta, também, que a plataforma cria "uma situação de desigualdade material entre operadores do mercado", uma vez que os utilizadores "são obrigados a digitalizar e carregar documentos adicionais" quando a "viagem é adquirida através de agências de viagem", situação que não acontece quando o bilhete é comprado "diretamente às companhias aéreas".

"A atual configuração da plataforma e dos procedimentos administrativos associados não assegura a previsibilidade normativa, a clareza jurídica nem a igualdade de tratamento entre operadores", lê-se no texto que acompanha a petição.

A nova plataforma eletrónica para acesso ao SSM nas viagens entre as regiões autónomas e o continente ficou disponível em 08 de janeiro.

Em 06 de janeiro foi publicada uma alteração que introduziu como critério para acesso ao reembolso das passagens a "regularidade da situação contributiva e tributária do beneficiário, perante a Segurança Social e a Autoridade Tributária", medida que motivou críticas de Açores e Madeira.

A Assembleia da República aprovou recentemente, na generalidade, duas propostas de lei dos parlamentos regionais dos Açores e da Madeira que dispensam a exigência de situação contributiva regularizada no acesso ao SSM.

Na segunda-feira, o CDS-PP/Açores, partido que integra o Governo Regional e o da República, reivindicou melhorias no funcionamento do SSM, porque a plataforma está a "criar inúmeros constrangimentos aos passageiros".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8