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Populações nas margens do Ceira em Coimbra preocupadas com inundações

Esta é a segunda inundação registada no rio Ceira em uma semana.

05 de fevereiro de 2026 às 16:16

Os residentes nas margens do rio Ceira, em Coimbra, mostraram esta quinta-feira preocupação com a subida das águas e salientaram a quantidade e duração das inundações na última semana, apesar de o cenário ser habitual.

"Já estamos um pouco habituados a isto, mas é chato. Tudo o que está na parte mais baixa, temos de tirar para o andar de cima", lamentou Horácio Martins.

Residente no Cabouco, em Coimbra, em frente ao rio Ceira, Horácio Martins saiu de casa na quarta-feira, devido ao risco de inundações, e, ao final da manhã desta quinta-feira, já não tinha acesso à sua residência devido às inundações que obrigaram ao encerramento das ruas na zona mais baixa da localidade.

"Vim cá eram 08h00 da manhã e ainda se andava à vontade", descreveu, estimando que a água já lhe teria entrado em casa e atingido "meio metro".

"Não sei se não vai subir muito mais. Na última cheia, que foi de quinta para sexta-feira, subiu um metro dentro de casa. Como ele [o rio] vai, não sei se não irá subir muito mais que um metro", perspetivou, admitindo que não tira os olhos do Ceira desde terça-feira da semana passada, dia 27 de janeiro.

Na localidade vizinha de Boiça, José Brandão também não escondeu a preocupação, enquanto observava uma nova subida da água nas zonas já inundadas pelo rio Ceira.

"Está tudo estragado, mas temos de ter paciência", disse, resignado, indicando a localização da sua horta coberta de água.

"Venho aqui todos os dias de manhã", acrescentou.

Esta é a segunda inundação registada no rio Ceira em uma semana.

"Já aqui estou há quase 39 anos. Tem havido cheias, mas assim por tanto tempo e várias não me recordo", atirou.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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