Decisão fragiliza o funcionamento da instituição, uma vez que a lei obriga a que as propostas sejam aprovadas por unanimidade dos presentes.
A Câmara do Porto ameaçou esta sexta-feira votar contra todas as deliberações da Área Metropolitana que impliquem comparticipações monetárias, depois de vários autarcas terem votado contra o apoio para as obras de reabilitação do Coliseu, inviabilizando-as.
"Os outros pontos que estão na agenda [da reunião desta sexta-feira da Área Metropolitana do Porto [AMP], o Porto votará contra, porque se não obtemos consenso acerca de algo em que somos associados e que representa a área metropolitana, o município do Porto votará contra e usará o dinheiro do PART II e outros para apoiar o Coliseu", avisou o vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, antecipando a rejeição da proposta de distribuição de verbas a pagar pelos municípios para as obras do Coliseu.
Em declarações à Lusa, no final da reunião da AMP, Filipe Araújo, esclareceu que a posição de votar contra todos os pontos que envolvam dotação financeira aplica-se não apenas a esta reunião, mas para futuro, defendendo que é preciso apoiar o Coliseu.
Esta tomada de decisão fragiliza o normal funcionamento da Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que a lei obriga a que as propostas sejam aprovadas por unanimidade dos presentes.
Sete dos 17 municípios dos da Área Metropolitana do Porto (AMP) votaram esta sexta-feira contra a proposta de comparticipação para as obras reabilitação do Coliseu do Porto, cujo apoio tinha já sido aprovado por "unanimidade dos presentes" em novembro.
A proposta de distribuição das verbas por município, foi rejeitada pelos municípios de Arouca, Espinho, Valongo, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra, que defenderam uma reflexão mais profunda tendo como ponto de partida um levantamento dos equipamentos que, tal como Coliseu do Porto - cujo valor patrimonial e histórico dizem não estar em causa - sejam de âmbito metropolitano.
Os restantes nove municípios presentes votaram a favor, tendo Vila do Conde estado ausente da reunião.
A decisão tomada esta sexta-feira contraria a deliberação da reunião de trabalho de 20 novembro, onde foi aprovada "por unanimidade" dos presentes - adiantava à data o presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues - o apoio para as obras de reabilitação do Coliseu e à construção da academia da Associação de Futebol do Porto (AFP), cujos investimentos ascendem a cerca de sete milhões de euros.
Perante as intervenções dos autarcas que se mostraram indisponíveis para aprovar a proposta a discussão, Filipe Araújo lamentou o sucedido, acusando os autarcas de estar a "baralhar para não decidir".
"Nós somos associados, fundadores de uma instituição e não é uma instituição qualquer (...). Quando alguns presidentes não o entendem, eu confesso que começo a ter muitas dúvidas sobre o que estamos aqui a fazer. E acho que é preciso algum pingo de vergonha, então deviam estar a propor sair da associação [Amigos do Coliseu]", afirmou.
Sublinhando que o Coliseu do Porto "não é um mero centro de espetáculos", o vice-presidente da Câmara do Porto lembrou que a AMP já liderou aquele equipamento e que, como associada com poderes, tem obrigações e responsabilidades.
Em resposta, o presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, um dos sete que disse não estar disponível para comparticipar as obras de requalificação daquele equipamento, mostrou-se "surpreendido" com a intervenção e avisou que "se é preciso ter um pingo de vergonha para ser associado do Coliseu, então Oliveira de Azeméis irá propor a sua saída", criticando a "forma prepotente e arrogante" com que Filipe Araújo se dirigiu aos autarcas presentes.
A troca de acusações levou mesmo o presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, a apelar à serenidade, pedindo à autarquia portuense que ponderasse a sua posição.
À margem, questionado sobre a mudança de posição de vários autarcas, o presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, disse que o dossier financeiro é sempre um "ponto sensível", defendendo que "talvez valha a pena discutir porque é que na Área Metropolitana do Porto e na Área Metropolitana de Lisboa tem de haver estas votações por unanimidade, porque aí o que existe é um veto".
"A verdade é que o que está em causa é discutir se o Coliseu é ou não um equipamento de âmbito metropolitano, é discutir se cumprimos ou não cumprimos as nossas obrigações, ou então temos que ser consequentes e sair de associados do Coliseu e aí sim eu percebo", afirmou.
Sobre a posição de força assumida pelo vice-presidente da Câmara do Porto, Eduardo Vitor Rodrigues mostrou-se convicto de que será possível chegar a um entendimento que permita o normal funcionamento da AMP.
A intenção de apoiar as obras de reabilitação do Coliseu surgiu depois de, em 14 de novembro, a Associação dos Amigos do Coliseu do Porto ter aprovado, por unanimidade e em assembleia-geral, revogar as deliberações que visavam a concessão a privados, reforçando a intenção de reabilitar aquele equipamento cultural com recurso a fundos comunitários.
Em discussão estava a revogação de duas deliberações, aprovadas em assembleias gerais a 13 de março e 22 de maio de 2020, que visavam a concessão daquele equipamento a privados.
Com a rejeição da proposta de distribuição das verbas a comparticipar pelos municípios, o apoio prometido ao Coliseu não se materializa, dado que a lei obriga a que as propostas sejam aprovadas por unanimidade dos presentes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.