Mais recente Índice sobre Igualdade de Género coloca o País em 16.º lugar entre os em 28 países da UE.
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Portugal é dos países da União Europeia que mais medidas tem tomado para atingir a igualdade de género no mercado de trabalho, afirmou esta terça-feira Joana Gíria, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.
"Nos últimos cinco ou seis anos Portugal é um dos estados da União Europeia (UE) com uma preocupação mais abrangente em relação à igualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho", disse hoje à agência Lusa Joana Gíria, presidente da CITE-Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.
O mais recente Índice sobre Igualdade de Género, revelado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género, coloca o país em 16.º lugar entre os em 28 países da UE, numa subida de sete posições em relação ao ano de 2005.
Uma subida que revela, no que toca à igualdade de género, que Portugal está a progredir mais rapidamente que os seus pares e que, segundo a presidente da CITE, decorre "das medidas que têm sido tomadas nesse sentido".
Entre as quais "a alteração da lei de combate ao assédio sexual e moral no trabalho; a lei que obriga a uma representação equilibrada das mulheres e dos homens nos cargos de decisão; os códigos de conduta, por exemplo, no caso do assédio para empresas com mais de sete trabalhadores, e as licenças [de nascimento] partilhadas entre pai e mãe", destacou.
Para atingir a igualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho, (que de acordo com os indicadores do Gender Gap Report 2018, divulgados pelo Fórum Económico Mundial, só acontecerá dentro de 108 anos) Joana Gíria, considerou fundamental "a conciliação do trabalho com a vida familiar", tendo em conta o "uso do tempo que homens e mulheres fazem".
"Os empregadores ainda veem como uma limitação da produtividade da mulher o facto de elas serem mães ou potencialmente mães", acrescentou, sustentando que se o tempo dedicado à família "for idêntico entre mulheres e homens deixa de haver a tendência para o empregador contratar menos mulheres".
Joana Gíria falava à Lusa à margem de uma mesa redonda sobre igualdade de género no mercado de trabalho, integrada no programa do Folio -- Festival Literário Internacional de Óbidos.
O evento, em que participaram cerca de 200 alunos de escolas da região, professores e empresários, pôs em debate as desigualdades no país onde a disparidade salarial entre mulheres e homens "é em média de 14,8% ", lembrou a presidente do CITE.
Um índice para o qual concorre também o facto de "as mulheres escolherem maioritariamente as profissões que se esperam delas", muita das quais associadas "ao prolongamento do trabalho de casa e de cuidado da família" e "mais mal pagas" que as profissões tendencialmente abraçadas por homens.
O problema, apontou Joana Gíria, é que a situação leva a que "as pensões de reforma nas mulheres podem atingir um limiar que as aproxima do limiar de pobreza" e, em última instância "criar um problema greve de sustentação da Segurança Social".
A mesa redonda, intitulada "O nosso tempo e os medos que o povoam, as perspetivas de futuro", foi uma das 210 iniciativas integradas nas 450 horas de programação do festival que decorre em Óbidos até domingo.
Com o tema "O Tempo e o Medo" mais de meio milhar de convidados de quatro continentes participam em 16 mesas de escritores, 12 exposições e 13 concertos que integram a programação.
Organizado em cinco capítulos (Autores, Folia, Educa, Ilustra e Folio Mais) o festival teve a sua primeira edição em 2015, num investimento de meio milhão de euros, comparticipados por fundos comunitários, sendo desde então custeado pela autarquia e por parceiros institucionais.
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