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Professora de Matemática que exerceu mais de 30 anos sem curso vai a julgamento

Para avançar na carreira, a falsa docente forjou uma certidão de mestrado na Universidade da Madeira, com 18 valores.

02 de setembro de 2026 às 13:23

Paula Pinto Pereira exerceu mais de 30 anos como professora de Matemática com certificados de habilitações falsos e sem qualquer curso superior. Foi expulsa do ensino em 2023 e acusada há 10 meses, tendo ainda tentado evitar a ida a julgamento através da abertura da instrução do processo, mas sem sucesso.

Mesmo sem curso superior, a falsa docente escreveu manuais de Matemática, exerceu funções como diretora de turma, orientadora de estágios e foi ainda coordenadora do plano curricular do agrupamento a que pertencia, detalha o jornal Público. Paula Pinto começou a dar aulas na qualidade de professora provisória, quando ainda frequentava o curso de Matemática, na década de 80, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Antes de ser transferida frequentava a Universidade de Coimbra, onde reprovou a várias cadeiras, como detalha a acusação.   

De acordo com o Ministério Público, o primeiro certificado forjado foi apresentado pela falsa docente em 1988, na Escola Secundária do Barreiro. À data tinha "apenas concluído três disciplinas e no documento alegava a conclusão de 12". No certificado forjado, Paula Pinto Pereira apresentava a conclusão da licenciatura com 15 valores. No ano seguinte, passou a exercer na Escola Secundária Daniel Sampaio, na Costa da Caparica, onde se manteve até ser descoberta. 

A investigação aponta ainda que, para avançar na carreira, a falsa docente falsificou uma certidão de mestrado na Universidade da Madeira, com 18 valores. A arguida passou a receber um vencimento de 2 mil euros líquidos por mês e viu ser-lhe garantida uma progressão de quatro anos na carreira. 

O Ministério Público acusou a falsa docente de "ludibriar o sistema educacional e a administração pública", tendo chegado a exigir que a falsa docente pagasse mais de 355 mil euros, montante referente à diferença entre o que recebeu e o que deveria ter recebido se não tivesse falsificado as habilitações, algo que o Supremo Tribunal Administrativo não permitiu que fosse avante. A suspeita continua a insistir não ter forjado o curso e alega desorganização por parte dos estabelecimentos de ensino que frequentou. 

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