Missão Escola Pública (MEP) denunciou que vários professores foram convocados para corrigir exames nacionais do ensino secundário, na véspera do fim do prazo para finalizar as classificações.
A Missão Escola Pública (MEP) denunciou esta segunda-feira que, ao longo do dia, vários professores foram convocados para corrigir exames nacionais do ensino secundário, na véspera do fim do prazo para finalizar as classificações.
"Temos colegas que foram convocados ao início da tarde e alguns dos que aceitaram ainda não conseguem aceder aos itens", relatou a porta-voz do movimento, Cristina Mota.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) adiou os prazos inicialmente previstos.
De acordo com o novo calendário, os professores têm agora até ao final do dia de terça-feira para concluir as classificações e, segundo um balanço feito segunda-feira pelo ministro Fernando Alexandre, 92% dos exames já estão corrigidos.
Com mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos, estarão então por corrigir cerca de 20 mil provas, mas ainda há professores a ser convocados para realizar esse trabalho. Cristina Mota disse à Lusa que alguns docentes receberam segunda-feira quase 200 itens para classificar, quando esta fase final deveria ser dedicada à revisão das classificações já feitas, uma vez que os critérios de avaliação definitivos só foram publicados segunda-feira.
"Os prazos até podem cumprir-se, mas não vão permitir fazer uma revisão e uma segunda análise das classificações", alertou a porta-voz da MEP. Na véspera do prazo para concluir as classificações, persistem vários problemas técnicos que continuam a atrasar o trabalho dos professores.
Entre as dificuldades relatadas estão falhas no acesso aos itens atribuídos, folhas de continuação em falta e casos em que essas folhas não correspondem às respostas em avaliação. Após ter denunciado, na sexta-feira, que supervisores estariam a recomendar aos professores classificadores que atribuíssem classificação a respostas incompletas caso as folhas em falta não fossem disponibilizadas até ao final do processo, a MEP sublinha que os docentes continuam sem receber instruções oficiais do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e do Júri Nacional de Exames.
Numa nota publicada no sábado, o EduQA referiu que "implementou um sistema de reporte de eventuais desconformidades dos itens (botão "Reportar"), permitindo aos professores classificadores a sua sinalização centralmente".
Contudo, o esclarecimento não indica como devem proceder os docentes quando as folhas de continuação continuam em falta no final do processo, uma vez que, segundo Cristina Mota, os professores só conseguirão dar o trabalho como concluído se todos os itens tiverem uma classificação atribuída.
"A grande questão que os professores estão a colocar neste momento é quando vão ter disponível (na plataforma eletrónica) o botão "Finalizar" e o que fazer com os itens que continuam com problemas", relatou Cristina Mota. Do lado das escolas, os representantes dos diretores, que se reuniram segunda-feira com o MECI para discutir o futuro estatuto do diretor e alterações ao regime de gestão e administração das escolas, manifestaram-se confiantes com o cumprimento dos prazos e o rigor das avaliações.
"O que nós pretendemos é que os alunos no dia 17 tenham os seus resultados dos exames e possam, em caso de não estarem satisfeitos, pedir reapreciações caso haja algum erro. O processo está a ser garantido pelo Ministério da Educação de modo a que tudo possa acontecer com serenidade, com calma e não haja problemas para os nossos alunos", afirmou o presidente do Conselho das Escolas, António Castel-Branco.
Pela Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Carlos Louro disse estar convicto de que as pautas serão publicadas na sexta-feira. Acrescentou que todos os alunos terão acesso às respetivas provas em formato digital, uma novidade este ano, e que as escolas apoiarão o processo de associação do contacto de cada aluno ao respetivo exame.
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