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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PSD Lisboa critica encerramento anunciado de urgências nas maternidades da capital

Partido sublinhou que este é "precisamente o período do ano em que se registam mais nascimentos em Portugal".

20 de junho de 2019 às 21:42

A Concelhia de Lisboa do PSD criticou esta quinta-feira o encerramento anunciado de urgências das maternidades em Lisboa entre julho e setembro, sublinhando que este é "precisamente o período do ano em que se registam mais nascimentos em Portugal".

O PSD "lamenta o anunciado encerramento de urgências das maternidades na cidade de Lisboa (...) e exige celeridade na resposta do Ministério da Saúde para não pôr em risco a saúde das grávidas e dos bebés", declarou o partido num comunicado enviado às redações.

"As grávidas e os bebés não podem ficar à espera das promessas eleitorais deste governo. Precisam de resposta imediata e o PSD Lisboa exige ao governo que não encerre as urgências destas maternidades", reagiu a concelhia social-democrata.

O partido lembra ainda que estas maternidades de apoio perinatal diferenciado de Lisboa servem as grávidas da capital, "mas também grávidas da região sul que a elas recorrem ou que para elas são transferidas por se tratar de maternidades de referência e de 'fim de linha'".

O PSD Lisboa aponta ainda para o facto de "há mais de dois anos" o Sindicato dos Médicos e a Ordem dos Médicos virem a alertar para a "falta de obstetras, neonatologistas, anestesiologistas e pediatras", uma situação que "tem vindo a agravar-se", sem que seja conhecida "qualquer medida concreta por parte deste Governo".

"Este governo, que não só nada fez para resolver o problema da falta de especialistas há muito conhecido, como ainda encerrou camas em várias destas maternidades e agora, fruto da sua impotência e incompetência vem propor o encerramento de urgências", critica o partido.

"Com a maior receita fiscal de sempre, com o menor investimento na saúde de sempre, este governo está a pôr em causa a estabilidade do SNS e a empurrar as grávidas para o setor privado", acusa o PSD, recomendando ao governo, "menos propaganda e mais investimento no SNS".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quinta-feira esperar que o eventual fecho rotativo de urgências de obstetrícia em Lisboa seja "devidamente esclarecido e explicado", para "serenar os espíritos das pessoas".

A notícia desta quinta-feira do jornal Público avança que as urgências de obstetrícia de quatro dos maiores hospitais de Lisboa vão estar encerradas durante o verão, fechando rotativamente uma de cada vez, devido à falta de especialistas.

"Eu espero que seja devidamente esclarecido, explicado, para as pessoas perceberem exatamente como vai ser e para não terem depois as preocupações que vi aparecer", defendeu.

Na perspetiva do chefe de Estado, "essa explicação é muito importante para serenar os espíritos das pessoas numa comunidade tão vasta, numa área tão ampla" como é a de Lisboa.

"Eu não tenho exatamente a memória, mas penso que já não é nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez, quando se aproxima o verão, se fala na hipótese de fecho de urgências, ou de obstetrícia ou de pediatria, enfim, várias especialidades, por causa problemas de funcionamento ou de falta de recursos humanos", lembrou.

Sobre quem é que deve prestar esclarecimentos, Marcelo Rebelo de Sousa pensa que a ARS "vai explicar isso ao parlamento".

O presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) garantiu que as grávidas não vão andar de ambulância entre hospitais na região de Lisboa, durante o verão, período normalmente mais crítico de funcionamento hospitalar.

"O hospital que a gente diz como fechado, entre aspas, vai continuar a dar resposta à sua atividade programada. As senhoras vão continuar a ter lá os seus bebés em segurança e mesmo se houvesse uma urgência de uma pessoa que não viesse pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) ou pelo INEM, teria a sua criança. Posso garantir que não vai haver grávidas de ambulância de hospitais para hospitais na região de Lisboa", assegurou Luís Pisco à agência Lusa.

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