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Correio da Manhã

Sociedade
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Recuperação de sequelas após AVC é mais fácil nas crianças

Doença pode surgir devido a malformações no coração.
Daniela Polónia 13 de Abril de 2019 às 10:14
As ecografias podem ser feitas à cabeça do recém-nascido para diagnosticar um AVC
Mafalda Lucas, pediatra Hosp. CUF Descobertas, Lisboa
Dificuldades motoras alertam para a existência de um AVC
Exame permite identificar alterações que aconteçam no cérebro do feto
As ecografias podem ser feitas à cabeça do recém-nascido para diagnosticar um AVC
Mafalda Lucas, pediatra Hosp. CUF Descobertas, Lisboa
Dificuldades motoras alertam para a existência de um AVC
Exame permite identificar alterações que aconteçam no cérebro do feto
As ecografias podem ser feitas à cabeça do recém-nascido para diagnosticar um AVC
Mafalda Lucas, pediatra Hosp. CUF Descobertas, Lisboa
Dificuldades motoras alertam para a existência de um AVC
Exame permite identificar alterações que aconteçam no cérebro do feto
Uma criança recupera muito mais facilmente de um acidente vascular cerebral (AVC) devido à capacidade de adaptação do cérebro. "Imagine um AVC que afeta a área responsável pela linguagem.

Uma pessoa com 40 anos nunca mais vai falar bem. No entanto, numa criança, com dois ou três anos, a área da linguagem ainda não está bem formada. Aquela área ficou estragada? O cérebro resolve e a criança vai falar bem", explica o neuropediatra José Ferreira.

O acidente vascular cerebral acontece quando uma área do cérebro deixa de receber sangue porque uma artéria ficou entupida ou porque rompeu e houve hemorragia. É mais comum nos adultos mas também acontece nas crianças, sobretudo no período perinatal, que vai desde as 20 semanas de gestação até um mês de idade. Ou seja, pode acontecer quando o bebé ainda está no útero.

Segundo o especialista, entre as causas desta doença nas crianças, estão malformações do coração e das artérias, e problemas de coagulação - tendência para o sangue coagular depressa demais. Estes fatores também são válidos nos adultos mas têm menos expressão. No caso dos fetos, o AVC pode ainda dever-se a restos de líquido amniótico ou de placenta que entram na circulação sanguínea e entopem uma artéria.

"Não consegue mexer um braço"
"No dia em que o meu filho nasceu teve convulsões. Foram feitos vários exames e perceberam que ele tinha tido um acidente vascular cerebral", conta Helena Sanches, 41 anos, que vive em Vila Franca de Xira.

Os médicos acreditam que o AVC terá acontecido durante a última semana de gestação. O menino, agora com cinco anos, ficou com sequelas.

"Não consegue mexer o braço direito, serve só de suporte ao esquerdo. Na perna direita coxeia mas corre e brinca na mesma", diz a mãe.

DISCURSO DIRETO
Mafalda Lucas
Pediatra Hosp. CUF Descobertas, Lisboa
"Convulsão é um dos sintomas"
CM - Para que sintomas de AVC, nas crianças, devem os pais estar alerta?
Mafalda Lucas -
Nos recém-nascidos, as convulsões são um dos sintomas. Nas crianças, pode haver um membro que não mexe, dificuldades na linguagem e, por exemplo, a criança ficar mais parada do que aquilo que era habitual. São sintomas repentinos.
– Como é que se tratam as sequelas?
Com muita reabilitação, ou seja, estimular a função que ficou lesada. Isto passa pela terapia da fala, pela fisioterapia ou também pela psicomotricidade.
– As crianças recuperam na totalidade?
Depende sempre de cada caso mas há umas que o conseguem. Podem ter de fazer os tratamentos na vida adulta para não regredirem e para não existirem atrofias musculares.

PORMENORES
Risco na vida adulta
Se tiverem uma doença cardíaca ou problemas de coagulação, as crianças que tenham sofrido um AVC têm mais probabilidade de o episódio se repetir na vida adulta. Mas se a causa estiver relacionada com a placenta ou o líquido amniótico, os riscos são os mesmos dos de outro adulto.

Visão não é recuperada
A área da visão não pode ser recuperada, em qualquer idade. O acidente vascular cerebral não costuma acontecer no cérebro todo, nem nos dois lados. Há uma área de visão nos dois hemisférios – se uma delas for destruída, o doente deixa de ver apenas de um lado.

Ecografia deteta problema ainda no útero
"Com o bebé no útero é muito difícil detetar um AVC, a não ser que se veja nas ecografias, que podem detetar uma alteração no cérebro", explica José Ferreira, neuropediatra do Hospital CUF Descobertas, em Lisboa.

Se tiver tido um AVC, quando nasce, são avaliadas as sequelas - pode não conseguir mamar bem, ter dificuldades em tossir e engasgar-se por não controlar os movimentos.

Sinais de alerta aos cinco meses
Em alguns casos, os médicos podem não conseguir perceber que o bebé teve um AVC ainda no útero. E os sintomas podem só manifestar-se por volta dos cinco meses, altura em que surgem os primeiros movimentos voluntários, como apanhar objetos - aí os pais podem detetar que o filho tem algumas dificuldades motoras.

Anticoagulantes nas viagens de avião
Depois de um AVC, nas viagens de longa distância de avião, são recomendados anticoagulantes, porque podem formar-se trombos.

Líquido injetado para dissolver coágulo
O tratamento depende dos casos, mas pode ser injetada uma substância que vai dissolver o coágulo que entope a artéria.

CONSELHOS PARA O CORAÇÃO
O sal: pequenos cuidados poderão fazer a diferença para evitar que o consumo ameace a sua saúde
A OMS recomenda como ingestão máxima 5 g de sal por dia, mas segundo os dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, verificou-se que os portugueses consomem mais do dobro.

Em excesso, o sal é um fator de risco cardiovascular, e correlaciona-se com patologias como a hipertensão e os AVC. Diminuir o seu consumo diário é uma medida importante que todos deveríamos adotar.

Meça a quantidade de sal que utiliza quando cozinha, utilizando por exemplo 1 colher de café ou chá; utilize ervas aromáticas e especiarias como alternativas para conferir mais sabor aos alimentos; analise os rótulos dos alimentos que vai adquirir e opte pelos que contêm menor teor de sal; diminua a frequência de consumos de alimentos tradicionalmente mais salgados, como conservas, charcutaria, snacks salgados, entre outros; elimine o saleiro da mesa e não se esqueça de que pequenos cuidados poderão fazer a diferença.

PRIMEIROS SOCORROS
A hiperglicemia é o aumento do valor de açúcar no sangue para igual ou superior a 200 mg/gl. O nível de açúcar avalia-se com um aparelho próprio.

Quem atinge
A hiperglicemia pode ocorrer em indivíduos saudáveis, em consequência de uma refeição rica em açúcares, mas também pode surgir como descompensação de um doente diabético, cujos sinais e sintomas estão descritos ao lado.

Sinais e sintomas
Náuseas e vómitos; fraqueza muscular; hálito cetónico (semelhante a maçãs); sonolência; confusão mental, desorientação que poderá evoluir para estados de inconsciência – coma hiperglicémico (de instalação lenta e progressiva).

Cérebro | Alteração da face
Como o cérebro tem várias funções, os sintomas do AVC dependem da área que é afetada. Entre as principais manifestações, que são súbitas, estão a alteração da simetria da face, a falta de força num dos membros e a dificuldade na fala. O doente pode ainda ficar com problemas de visão.

Fatores de risco | Hipertensão arterial
A hipertensão arterial, a diabetes e o tabagismo são alguns dos fatores de risco do acidente vascular cerebral. Também o colesterol, a obesidade e as arritmias cardíacas podem potenciar a doença. Estes fatores são controláveis, ao contrário da idade e de algumas doenças sistémicas, como o lúpus.

Ligue 112 | Deitar de lado
Perante os sintomas de um AVC, ligue de imediato para o 112. O doente deve estar confortável e ser deitado de lado, uma vez que as pessoas inconscientes não conseguem defender-se no caso de vomitarem.
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