page view

Região de Leiria ainda sem apoios do Governo após tempestades reclama relatório global

Presidente da Comunidade Intermunicipal admitiu que não haver ainda informação sobre quanto os municípios vão receber, deixa-o desalentado.

14 de abril de 2026 às 15:57

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, a mais afetada pelo mau tempo, afirmou esta terça-feira que os municípios ainda não receberam dinheiro do Governo e reclamou um relatório global sobre as consequências do mau tempo.

"Não [receberam dinheiro]. Essa é a outra preocupação", declarou Jorge Vala, em Figueiró dos Vinhos, no final de uma reunião do Conselho Intermunicipal da CIM.

Segundo Jorge Vala, a última informação que obteve foi pelo ministro da Economia, na semana passada, por ocasião da deslocação do Presidente da República à Marinha Grande, onde disse que durante esta semana ia comunicar os valores, defendendo ser "fundamental que haja uma resolução que indique como é que é feito o pagamento e quanto e a quem".

Jorge Vala admitiu que, quase três meses depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente a Região de Leiria, não haver informação sobre quanto os municípios vão receber, deixa-o desalentado.

"Mas deixa-me muito desalentado também por não perceber porque é que ainda não há um relatório da tempestade, um relatório objetivo, para o país perceber, efetivamente, o que é que aconteceu", declarou.

Segundo o autarca, existe "informação da Segurança Social por um lado, do Instituto do Emprego e Formação Profissional por outro, do IAPMEI por outro, do Banco Português de Fomento por outro, das CCDR [comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional] das candidaturas das casas e evolução dos pagamentos" e do levantamento de estragos feitos pelas câmaras.

"Mas não há um documento, um relatório, que possa graduar, efetivamente, todos estes danos e a dimensão, o impacto económico para o país, para a Região Centro, para a Região de Leiria em particular. Isto é fundamental", adiantou, para salientar que "há aqui uma questão associada que tem a ver com a transparência".

Para o presidente da CIM, a inexistência de "um relatório objetivo com a graduação dos estragos em todo o país" tem "depois consequências nos métodos, nos critérios e nos valores de distribuição de apoios".

"Precisamos urgentemente que sejam publicados os relatórios dos danos", defendeu o presidente da CIM, insistindo na necessidade de transparência.

O autarca considerou ainda que "as seguradoras estão a demorar demasiado tempo" a pagar.

"Numa altura em que as empresas, as pessoas precisam de respostas, continuam a ter respostas adiadas, com avaliações sistemáticas em cima de avaliações de danos, e depois, quando existem respostas, [há] repostas nalgumas circunstâncias com valores de 20% daquilo que é a avaliação dos danos", alertou.

Expressando muita preocupação com esta situação, Jorge Vala notou que se está "na fase de ter a capacidade para recuperar", quer autarquias, empresas ou cidadãos, mas "esta capacidade de recuperar depende, efetivamente, em muitos casos, dos valores que as seguradoras vão ressarcir essas empresas e pessoas".

De acordo com Jorge Vala, na reunião ficou decidido pedir uma reunião ao presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, "no sentido de tentar perceber qual é a dimensão dos atrasos, se existe um critério uniforme para avaliação desses danos e porquê é que estão a demorar tanto tempo".

A CIM integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8