Portagens não são "um capricho da região, são uma alternativa fundamental para a circulação", afirma presidente da CIP.
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria insistiu, esta terça-feira, na necessidade de isenção de portagens nas autoestradas 19 e 8, tendo o ministro das Infraestruturas se comprometido a levar o assunto ao primeiro-ministro, foi esta terça-feira anunciado.
"A questão das portagens para nós é essencial, porque elas não são, como eu tenho dito, um capricho da região, são uma alternativa fundamental para a circulação", afirmou aos jornalistas o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM), Jorge Vala, na Batalha, referindo-se à A19 (entre o nó de Azoia e o nó de São Jorge) e A8 (Marinha Grande -- Leiria Nascente).
À margem de uma reunião da CIM onde esteve o ministro Miguel Pinto Luz e o coordenador da Estrutura de Missão Recuperação da Região Centro do País, Paulo Fernandes, Jorge Vala explicou que a Estrada Nacional (EN) 242, que liga Leiria à Marinha Grande, e o Itinerário Complementar (IC) 2 (Porto de Mós, Batalha e Leiria) são vias que "não estão em condições transitáveis adequadas para permitir a mobilidade das empresas e cidadãos que circulam intensamente nestas duas estradas".
"Estão em obras, estão a ser recuperadas, reabilitadas e é uma reabilitação que está prevista ficar concluída até junho de 2026", declarou o também presidente da Câmara de Porto de Mós, explicando que os autarcas "não pedem mais do que a isenção até essa data".
De acordo com o autarca, o ministro afirmou que "vai pôr esta questão à consideração do sr. primeiro-ministro e dos colegas ministros, nomeadamente num Conselho de Ministros", pelo que a CIM vai aguardar expectante.
Jorge Vala adiantou que na reunião com o governante houve a confirmação de que "uma parte significativa dos 400 milhões de euros que foram entregues às Infraestruturas de Portugal são para reabilitar estradas na Região de Leiria".
Ao ministro foi pedida "urgência nas respostas" para colmatar as consequências da depressão Kristin, que atingiu gravemente este território há quase um mês.
"Aquilo que nós pedimos foi urgência nas respostas (...) E aquilo que nós solicitamos é que o país, que tem sido um país solidário, mas o país, o Governo, não se esqueça de nós, tenha presente a dimensão desta tragédia e, sobretudo, que olhe imediatamente para as respostas que são necessárias para recuperar a Região de Leiria", reafirmou.
Entre as matérias abordadas incluem-se também a recuperação das infraestruturas de comunicações e elétricas, mas também "de todo o património que está muito devastado" e que tem de ser reabilitado.
Realçando que "os autarcas da Região de Leiria não têm capacidade financeira para o fazer", o autarca reiterou a importância de haver uma "resposta urgente do Governo, para que sensibilize as seguradoras por um lado, mas, por outro lado, coloque à disposição dos autarcas os instrumentos necessários" para que possam "avançar rapidamente com a reabilitação e recuperação" do território.
No dia 03 de fevereiro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que o Governo iria isentar de portagens durante uma semana (até às 24:00 de dia 10) as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrange trechos das autoestradas 8, 17, 14 e 19.
No mesmo dia, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação indicou que decidiu isentar todo o tráfego que tenha origem ou destino na A8, entre o nó de Valado de Frades e o nó de Leiria Nascente, na A17, entre o nó da A8 e o nó de Mira, na A14, entre Santa Eulália e o nó de Ançã, e na A19, entre o nó de Azoia e o nó de São Jorge (este troço também na região de Leiria).
O Governo decidiu depois prorrogar a isenção de portagens até 15 de fevereiro.
A semana passada, a CIM anunciou estar a desenvolver um documento para garantir a isenção das portagens da A8 e A19, tendo em conta os danos nas vias alternativas, documento que foi agora suspenso a aguardar decisão do Governo.
Integram a CIM os municípios de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pombal, Porto de Mós, Alvaiázere, Ansião, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no dia 15 de fevereiro.
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