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Câmara de Leiria dá como "perda total" mais de duas mil árvores na sequência do mau tempo

Ventos que superaram os 140 quilómetros por hora durante a depressão Kristin.

23 de fevereiro de 2026 às 17:51

A Câmara de Leiria deu como "perda total" mais de duas mil árvores, dos 7.936 exemplares de arvoredo urbano avaliado no período anterior à depressão Kristin no concelho, disse esta segunda-feira o vereador com os Espaços Verdes.

Carlos Palheira revelou, na reunião desta segunda-feira do executivo municipal que, da análise efetuada, 2.035 árvores foram classificadas com "perda total", direta ou fortemente associadas aos efeitos da tempestade, 597 necessitam de intervenção com poda, "com o objetivo de minimizar riscos adicionais e preservar exemplares recuperáveis" e 5.304 árvores não sofreram danos ou registaram "danos ligeiros, correspondendo maioritariamente a árvores de menor porte".

Segundo o vereador, desde setembro de 2025 que o Município de Leiria tem vindo a realizar o inventário do arvoredo urbano, "com especial enfoque no levantamento exaustivo do estado fitossanitário e estrutural da arborização existente em ruas, jardins, parques, separadores centrais, estabelecimentos de ensino e taludes", num "trabalho técnico, sistemático e rigoroso".

Após a tempestade, com ventos que superaram os 140 quilómetros por hora, a autarquia sinalizou as árvores "tombadas e passíveis de recuperação através de poda".

"Os dados evidenciam perdas significativas, sobretudo em exemplares de maior dimensão, estruturalmente mais expostos e vulneráveis a ventos extremos. A magnitude do fenómeno superou, em muitos casos, a capacidade de resistência mecânica natural das árvores, independentemente do seu estado de saúde", esclareceu o autarca.

O relatório divulgado na reunião de câmara acrescenta que a maioria das árvores destruídas tinham entre 21 e 30 anos (585), seguindo-se o arvoredo com 11 e 20 anos (204 perdas) e as que tinham mais de 70 anos (156).

"Foram as árvores mais antigas e de maior porte, distribuídas pelos principais parques e jardins da cidade, que foram particularmente impactadas. Em vários espaços emblemáticos verificaram-se perdas profundas no património paisagístico e histórico", apontou, exemplificando com o Jardim de Villa Portela, recentemente requalificado, onde "os ciprestes centenários sofreram danos quase totais".

No total de 340 árvores existentes neste jardim, 161 "foram derrubadas ou terão de ser abatidas, das quais 90% são de grande porte com mais de 70 anos".

"No Jardim Luís de Camões, várias das árvores mais vistosas tombaram ou partiram ao nível do fuste. Noventa por cento do total das árvores de grande porte caíram" e no conhecido Parque do Avião, "dois plátanos de grande dimensão tombaram sobre a aeronave que constitui símbolo identitário daquele espaço".

Neste espaço público caíram 27 árvores num total de 110, sendo que a maioria tem mais de 50 anos.

"Estas perdas representam não apenas a destruição de elementos vegetais, mas a transformação de cenários afetivos e marcos da memória coletiva da cidade", constatou Carlos Palheira.

As espécies mais afetadas foram o choupo, cipreste e pinheiro manso, acrescentou.

"A reconstrução do coberto arbóreo de Leiria exigirá tempo, conhecimento técnico, investimento e envolvimento comunitário. Com rigor científico, sensibilidade ambiental e determinação institucional, o Município continuará a trabalhar para restaurar e fortalecer este património vivo, essencial à qualidade de vida das gerações presentes e futuras", rematou.

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