page view

Registos de mutilação genital feminina em Portugal sobem 15% em 2025

Direção-Geral da Saúde indica que entre 2024 e 2025 o número de registos passou dos 254 para os 292, muito acima dos 60 verificados em 2017, o número mais baixo da última década.

14 de julho de 2026 às 22:56

O número de registos de mutilação genital feminina (MGF) em Portugal aumentou 15% em 2025, para um total de 292, anunciou esta terça-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS), que atribuiu esse crescimento à maior sensibilização dos profissionais de saúde.

O boletim que atualiza os dados sobre esta prática, esta terça-feira divulgado, indica que entre 2024 e 2025 o número de registos de MGF passou dos 254 para os 292, muito acima dos 60 verificados em 2017, o número mais baixo da última década.

A DGS salienta que a mutilação genital feminina é reconhecida internacionalmente como uma violação dos direitos humanos e, enquanto ato de violência de género, faz parte de um "conjunto de práticas nefastas que ainda persistem na atualidade", merecendo a atenção de diversos acordos internacionais e nacionais, como é o caso da Convenção de Istambul, ratificada por Portugal.

A direção-geral reconhece que, ao longo da última década, tem-se verificado um aumento progressivo do número de registos de MGF na plataforma Registo de Saúde Eletrónico -- Área do Profissional, mas realça que essa evolução "reflete a crescente sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde" para a identificação e o registo destas situações, não significando, necessariamente, um aumento desta prática.

Em 2025, não foi registado qualquer caso de MGF realizada em Portugal, assegura ainda a DGS, adiantando que a maioria das situações foi identificada no âmbito da vigilância da gravidez, do parto e do puerpério, o que reforça a "importância destes contactos com os serviços de saúde na deteção e acompanhamento das mulheres sobreviventes desta prática".

O boletim aponta também uma maior abrangência territorial dos registos, tendo em conta que, embora a maioria continue concentrada na região de Lisboa e Vale do Tejo, no último ano verificou-se um aumento de registos realizados por unidades de saúde das regiões Norte, Centro e Algarve.

Em 2025, a idade média em que a MGF foi registada como realizada foi de 7,7 anos, tendo cerca de 70,7% das mutilações ocorrido até aos nove anos, indica ainda a DGS, apontando que foram registadas complicações em 155 mulheres (53,1%), como as psicológicas, obstétricas, da resposta sexual e uro-ginecológicas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8