Numa recomendação dirigida esta terça-feira às entidades gestoras, a ERSAR defendeu ajustes tarifários e facilidades de pagamento para minimizar os impactos, após a passagem da tempestade Kristin.
A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) recomendou esta terça-feira que a população dos concelhos em situação de calamidade não pague a tarifa de disponibilidade relativa aos dias em que ficou sem abastecimento de água.
Numa recomendação dirigida esta terça-feira às entidades gestoras, a ERSAR defendeu ajustes tarifários e facilidades de pagamento para minimizar os impactos, após a passagem da tempestade Kristin.
A ERSAR recomendou "a adoção de um conjunto de medidas excecionais em matéria de faturação dos serviços aos utilizadores".
O regulador salientou que deve haver "isenção da tarifa de disponibilidade pelo valor correspondente aos dias completos em que o serviço tenha estado interrompido".
De acordo com a ERSAR, a depressão Kristin provocou "interrupções prolongadas do serviço de abastecimento de água em várias zonas afetadas" e danos em redes prediais, originando "consumos excecionais".
Para esses casos, o organismo propôs a isenção da tarifa de disponibilidade nos dias sem serviço, a aplicação do segundo escalão tarifário aos consumos excecionais de fevereiro e a exclusão desses consumos na faturação de saneamento e resíduos.
A ERSAR defendeu a "não consideração dos consumos excecionais (...) para faturação dos serviços de saneamento e de gestão de resíduos urbanos".
A entidade reguladora recomendou ainda facilidades de pagamento, incluindo prazos alargados e fracionamento de valores, para evitar incumprimentos e aliviar a pressão financeira sobre famílias e empresas nos concelhos abrangidos pela declaração de calamidade.
Segundo o 'site' do Governo (https://www.gov.pt/guias/estado-calamidade-concelhos-afetados), os concelhos declarados em situação de calamidade são Abrantes, Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Alcanena, Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Aveiro, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cantanhede, Castanheira de Pera, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Constância, Covilhã e Entroncamento.
Também nessa situação encontram-se Estarreja, Ferreira do Zêzere, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Góis, Golegã, Idanha-a-Nova, Ílhavo, Leiria, Lourinhã e Lousã, bem como Mação, Marinha Grande, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Murtosa, Nazaré, Óbidos, Oleiros, Ourém, Ovar, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Penamacor, Penela, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Proença-a-Nova, Rio Maior, Santarém, Sardoal, Sertã, Sever do Vouga, Soure, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vagos, Vila de Rei, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares e Vila Velha de Ródão.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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