Ambientalistas defendem que lojas precisam de contribuir mais para diminuição do consumo dos sacos de plástico.
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Os ambientalistas da Zero defenderam esta segunda-feira que os sacos só devem ser disponibilizados quando o cliente pedir e pagar, e a taxa dos leves deve ser revista e alargada a todos os sacos de plástico.
Para assinalar o dia internacional sem sacos de plástico, que se comemora na terça-feira, a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, listou algumas linhas estratégicas para reduzir o consumo destes produtos em Portugal, avançando para "um novo patamar" na sensibilização para a necessidade de poupar recursos.
Recordando que, em 2014, Portugal deu um passo importante para reduzir o consumo de sacos de plástico descartáveis ao introduzir uma taxa sobre os leves, a associação realça ser atualmente "comprovável por qualquer cidadão" que a sua utilização "voltou a ser muito comum, sendo necessário recusar o saco com regularidade em muitas lojas".
A Zero diz mesmo que, em muitos casos, o saco é cedido sem qualquer custo e a própria aquisição de sacos descartáveis por 10 cêntimos em supermercados "começa a tornar-se mais comum".
"É importante que, em qualquer loja a que nos dirijamos, a disponibilização de um saco, seja de que tamanho ou material for, seja feita a pedido do consumidor, o que, muitas vezes, ainda não acontece, e sempre com um custo associado", resume a associação.
Na lista de propostas da Zero está também alargar a tipologia de sacos abrangidos, pois "não faz sentido restringir o tipo de sacos de plástico abrangidos pela taxa", e aumentar os tipos de materiais afetados, já que "um saco descartável será sempre um saco descartável, mesmo feito de papel ou de plástico supostamente biodegradável".
Os ambientalistas querem que todos os sacos descartáveis de venda final sejam taxados, defendendo que, só assim, será possível fiscalizar com eficácia a aplicação da lei e garantir que a mensagem passada é coerente.
Para a Zero, é urgente encontrar formas de incluir progressivamente os sacos usados para frutas e legumes, facilitando a reutilização daqueles e o uso de diferentes embalagens ou caixas para transporte dos alimentos.
A associação defende a realização de uma avaliação da aplicação do impacto da taxa sobre os sacos de plástico, nomeadamente para saber quantos são usados.
A legislação proposta para reduzir o consumo de sacos de plástico "acabou por ser torpedeada pela indústria e pela distribuição, sendo que, em muitos casos, se aumentou ou reduziu muito a gramagem dos sacos de plástico, de forma a que deixassem de pagar a taxa e levando a que o valor pago, por exemplo, nas caixas do supermercado, reverta para os mesmos e não para o Estado", criticam os ambientalistas.
Plásticos, como cotonetes, palhinhas ou sacos de plástico descartáveis, vão parar aos oceanos e deterioram-se, dando origem a pequenas partículas que são ingeridas pelos animais e podem levar à sua morte.
Através dos peixes, os microplásticos chegam à cadeia alimentar humana.
A poluição do mar pelos plásticos é um problema global. Em 1990, a produção de plástico era metade da atual e daqui a alguns anos poderá existir no oceano mais plástico do que peixe, se nada for feito para evitar o elevado consumo deste material, segundo organizações ambientalistas.
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