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Correio da Manhã

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Segunda vaga de Covid-19 pode ser evitada se contactos forem reduzidos e assintomáticos controlados

Para evitar segunda vaga em Portugal é preciso ter em conta os contactos na sociedade e nas escolas, dizem especialistas.
Lusa 7 de Setembro de 2020 às 19:16
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Getty Images
Especialistas defendem que a segunda vaga de infeção do novo coronavírus poderá ser evitada em Portugal se os jovens e a sociedade em geral reduzirem os seus contactos comparativamente ao "tempo pré-covid", e se os casos assintomáticos forem controlados.

Numa reunião sobre a evolução da covid-19 em Portugal, que junta peritos, políticos e parceiros sociais e que decorreu hoje no Porto, Manuel do Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa afirmou ser possível, tendo por base modelos matemáticos, evitar uma segunda vaga da covid-19 em Portugal.

"A reabertura das escolas, no seguimento das medidas de relaxamento do confinamento, tem uma grande propensão para originar uma segunda onda, mas há uma boa noticia que é a de que a segunda onda não é uma fatalidade, não é uma coisa inevitável e conseguimos até estimar o que podemos fazer para a evitar", disse o especialista.

De acordo com os modelos matemáticos apresentados, para que se evite uma segunda vaga do novo coronavírus em Portugal é preciso ter em conta "duas circunstâncias": os contactos na sociedade e os contactos nas escolas.

Segundo Manuel do Carmo Gomes, se aquando da reabertura das escolas os contactos nas escolas forem reduzidos em 30% em relação à época "pré-covid", "a probabilidade de uma segunda onda é muito baixa".

No entanto, para evitar o surgimento da segunda vaga, o especialista defendeu que será também necessário que os contactos na sociedade sejam reduzidos para metade daquilo que era o "pré-covid", uma vez que "não basta alterar o comportamento dos jovens nas escolas".

"Há um aspeto positivo. O modelo prevê que é possível evitar a segunda onda, dá-nos uma indicação daquilo que temos de fazer para evitar a segunda onda", referiu o especialista.

Numa intervenção com o tema "Um regresso seguro à escola", Henrique Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) sublinhou que independentemente de virem a existir "ondas", não basta prestar atenção apenas aos casos positivos, mas também aos casos assintomáticos.

Henrique Barros disse ainda que apesar da abertura das escolas, é espectável que "o índice Rt (índice de transmissibilidade) não aumente mais" do que os valores que regista atualmente.

"É possível pensar que seremos capazes de controlar a situação", disse Henrique Barros, considerando também importante a reabertura das escolas, nomeadamente, para que informações do ponto vista da saúde, cuidados de higiene e de segurança sejam transmitidos às crianças e jovens.

Carla Nunes da Escola Nacional de Saúde Pública, que na sessão apresentou dados do período de reabertura das escolas em 18 de maio e em setembro em outros países europeus, afirmou que a "heterogeneidade de planos de segurança e de higiene é muito grande", considerando que as escolas são "apenas um dos setores que está abrir" e que proporciona "alterações de comportamentos" em vários grupos, não só nas crianças e nos mais jovens.

Durante a sua apresentação, a especialista, que recorreu a dados de outros países europeus, afirmou que o aumento de casos verificados, por exemplo nos países nórdicos, "não pode ser atribuído apenas à reabertura das escolas", mas ao relaxamento das medidas de higiene e segurança neste período de verão.

A especialista defendeu por isso a necessidade de envolvimento dos alunos, professores, pais, escolas e autoridades de saúde para este próximo ano letivo, considerando que este envolvimento tem também de ser "adaptado localmente".

O encontro junta o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, líderes partidários, patronais e sindicais.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 889.498 mortos e infetou mais de 27,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.843 pessoas das 60.507 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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