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Correio da Manhã

Sociedade
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Ser mãe após vencer o cancro

Reconstrução de ovário feita pela primeira vez em Portugal.
Cátia Vicente 27 de Dezembro de 2015 às 09:35
Médicos reconstruíram ovário envelhecido
Médicos reconstruíram ovário envelhecido FOTO: DR
O primeiro transplante de tecido ovárico numa doente oncológica feito em Portugal foi realizado em outubro no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). A cirurgia permitiu reverter a menopausa de uma mulher de 34 anos que, aos 28, teve um linfoma de Hodgkin e se submeteu a tratamentos de quimioterapia que comprometeram a sua fertilidade.

Um dos ovários de Patrícia M. foi congelado no Centro de Preservação da Fertilidade há seis anos. Quando, já este ano, os exames confirmaram que o ovário que ficou não estava a funcionar, a paciente tinha um "plano B" e decidiu avançar para a cirurgia. "Com o tecido congelado, reconstruímos o ovário envelhecido pela quimioterapia e criámos um novo no local de onde tínhamos tirado o ovário criopreservado", explica Teresa Almeida Santos, diretora do Serviço de Medicina de Reprodução dos CHUC. "Após transplante, o tecido ovárico pode recuperar a função endócrina e a fertilidade, possibilitando uma conceção natural", garante.

Duas semanas depois da cirurgia, confirmou-se o sucesso do transplante, com a recuperação da função ovárica.

A congelação de tecido ovárico é a única solução para crianças, raparigas e mulheres em que não é aconselhada a estimulação hormonal. Além disso, não atrasa o início do tratamento.

Em todo o Mundo só nasceram 60 crianças fruto desta técnica, que é ainda experimental. Mas, para Martins Nunes, administrador dos CHUC, "é um grande avanço que dá uma nova esperança para os doentes oncológicos que ainda não têm o seu projeto familiar concluído".
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