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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

SINTAC defende "revisão profunda" da política da TAP para atribuição de carros de serviço

Sindicato criticou ainda mudança da companhia aéra para o Parque das Nações.

07 de outubro de 2022 às 14:36

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) considerou esta sexta-feira que suspender a aquisição de 50 carros para altos cargos da TAP foi a "atitude certa" e defendeu uma "revisão profunda" da política de atribuição de viaturas de serviço.

Em comunicado, o sindicato considerou que a administração da TAP tomou a "atitude certa", quando, "face ao grande coro de críticas", "decidiu suspender a aquisição das 50 viaturas BMW, cujo valor rondaria os quatro milhões de euros".

"Numa altura em que estão a ocorrer cortes salariais nos vencimentos dos trabalhadores e a empresa continua com problemas financeiros e face ao atual momento uma aquisição destas é e seria um ato de irracionalidade", apontou o SINTAC.

Neste sentido, o sindicato exortou a empresa a proceder a "uma revisão profunda da política de atribuição de viaturas de serviço".

"Esperamos e desejamos uma TAP sólida e com futuro e, assim, caberá ao Governo controlar esta administração, que só parece estar interessada em mordomias, ignorando os sacrifícios dos trabalhadores", afirmou o sindicato, acrescentando que "nunca" poderia aceitar "estes devaneios de uma administração que não tem em conta os sacrifícios dos trabalhadores".

O SINTAC criticou ainda a anunciada mudança da TAP para o Parque das Nações, zona nobre da cidade de Lisboa, "por estar alinhada com a escolha de viaturas do segmento 'premium', e cujos custos desta deslocalização, onde se inclui a perda do infantário, do refeitório e do estacionamento, irão recair mais uma vez sobre os mesmos, os trabalhadores".

Em causa está a notícia avançada pela TVI/CNN Portugal e pelo portal Away, na quarta-feira, de que a TAP encomendou uma nova frota de automóveis BMW para a administração e gestores, substituindo os da Peugeot.

A notícia avançava que seriam 79 viaturas, mas a TAP esclareceu que se tratava de 50 viaturas para diretores e administradores da companhia aérea.

Na quinta-feira, após a polémica ter levado o Presidente da República a apontar à companhia aérea portuguesa "um problema de bom-senso", defendendo contenção em tempos difíceis, a Comissão Executiva da TAP informou, em comunicado, que vai procurar manter a atual frota automóvel pelo período máximo de um ano, por compreender o "sentimento geral dos portugueses".

"A Comissão Executiva da TAP compreende o sentimento geral dos portugueses e, apesar da decisão que tomou quanto à frota automóvel ser a menos onerosa para a Companhia nas atuais condições de mercado, a TAP procurará manter a atual frota durante um período máximo de um ano, enquanto reavalia a política de mobilidade da empresa", lê-se na nota enviada à comunicação social.

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