Presidente da ULS Amadora-Sintra demitiu-se no início de novembro e ainda não foi substituído.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul revelou esta terça-feira que a "situação crítica" vivida nas urgências do Hospital Amadora-Sintra de sexta-feira para sábado levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.
Num comunicado hoje divulgado, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), que pertence à Federação Nacional dos Médicos (Fnam), responsabiliza a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra pela "incapacidade de gestão" e lembra que esta administração está demissionária desde novembro.
O presidente da ULS Amadora-Sintra demitiu-se no início de novembro, na sequência de um caso envolvendo a morte de uma grávida, e ainda não foi substituído.
Na nota hoje divulgada, o SMZS considera que os problemas no Amadora-Sintra "não são uma inevitabilidade nem acidente", mas sim "resultado de uma degradação progressiva e intencional do SNS", promovida pela "inação do Governo", que "cria as condições para justificar a transferência de cuidados para grupos privados".
Sobre a noite de sexta-feira para sábado, o SMZS considera que a situação vivida na urgência do Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) "voltou a colocar em causa a segurança dos doentes, médicos e profissionais de saúde".
O sindicato refere que a equipa médica escalada "era manifestamente insuficiente para a dimensão da afluência e da gravidade clínica existentes" e explica que, até às 00:00 de sexta-feira (02 de janeiro), a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois médicos na área ambulatória, mas a partir dessa hora, e até às 08:00 de sábado, "permaneceu apenas um médico para todos os doentes da área ambulatória".
"Uma situação absolutamente inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional", considera o sindicato, lembrando que, no início da noite, estavam 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60 doentes internados no serviço de observação.
Segundo revelou, os tempos de espera atingiam "níveis inaceitáveis", com os doentes triados como laranja (muito urgente) a esperarem mais de seis horas pela primeira observação médica e os doentes com pulseira amarela (urgente) a ultrapassar as 20 horas de espera.
"Não se tratou de uma falha imprevista, mas sim da escala previamente definida, sem que tenha sido tomada qualquer medida para prevenir ou corrigir uma situação anunciada, mesmo num contexto de pico sazonal da gripe", considera o sindicato, que diz que este caso denota uma "grave incapacidade de gestão" e desrespeito pelos profissionais e pelos utentes.
Pelas 13:00 de hoje, segundo o portal do SNS, os doentes com pulseira laranja (muito urgente) a aguardar na urgência central do Amadora-Sintra tinham de esperar mais de 11 horas e 47 minutos para primeira observação médica. Os utentes urgentes (pulseira amarela) aguardavam 10 horas e 53 minutos.
Na nota, o sindicato manifesta solidariedade com todos os médicos e restantes profissionais que trabalham no Amadora-Sintra e lembra que a responsabilidade "não é apenas local", apontando o dedo ao Governo e à ministra da Saúde, por falharem na adoção de medidas eficazes de fixação de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"O anúncio de reforço das equipas do HFF [Hospital Fernando da Fonseca] pela Comissão Executiva do SNS também não parece produzir efeitos visíveis", diz o sindicato, acrescentando: "Sem ouvir os médicos e sem responder às suas necessidades não há milagres".
Em declarações aos jornalistas no domingo, à margem de uma visita ao Hospital Distrital da Figueira da Foz, sede da Unidade Local de Saúde do Baixo Mondego, a ministra da Saúde reconheceu que a situação dos tempos de espera nas urgências é "muito crítica" e não deverá melhorar durante esta semana, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, disse hoje a ministra da Saúde.
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