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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Suspensas novas licenças para serviços expresso no terminal de Sete Rios

Rede Expressos recorreu desta decisão da AMT.

07 de janeiro de 2026 às 14:30

O Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMT) suspendeu a emissão de novas licenças para serviços de autocarro expresso no terminal de Sete Rios, em Lisboa, disse esta quarta-feira o presidente deste instituto no parlamento.

João Jesus Caetano disse que o IMT tomou esta decisão depois de a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) o ter informado que a Rede Expressos pediu novas licenças de paragens de autocarros expresso no terminal de Sete Rios ao mesmo tempo que negou à FlixBus acesso ao mesmo terminal alegando estar cheio.

"O IMT, perante a denúncia da AMT, disse: há aqui uma contradição. Quer dizer que o processo de decisão de autorização do gestor da infraestrutura nao é integro e enquanto não for íntegro não confiamos na informação que está a ser prestada e suspendemos a emissão de licenças de novos serviços expresso que parem em Sete Rios. Para todos", afirmou o presidente do IMT na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.

Segundo o responsável, o IMT não avalia a capacidade dos terminais. O que faz quando lhe são pedidas novas licenças com paragem em determinado terminal é perguntar ao gestor do terminal em causa se autoriza a paragem e confiar nessa informação.

No caso de Sete Rios e de novas licenças para a Rede Expresso deveria confiar também nessa informação, mas perante a denúncia da AMT decidiu suspender qualquer nova licença para esse terminal.

Quanto ao fim da suspensão das novas licenças, esse só acontecerá "quando a AMT disser que está resposta a normalidade", afirmou João Jesus Caetano.

Nos últimos meses têm sido discutidos os problemas de acesso aos terminais rodoviários, designadamente devido ao conflito que opõe a Rede Nacional de Expressos e a FlixBus no terminal de Sete Rios, em Lisboa.

Em maio, foi dada razão à FlixBus pela AMT, que determinou que o gestor do terminal deve autorizar o acesso da alemã FlixBus, e de quaisquer outros operadores que o solicitem, dentro dos horários disponíveis, não podendo recusar o acesso de forma injustificada.

Segundo a AMT, "não foi provado o esgotamento da capacidade do terminal e foi confirmada a existência de capacidade disponível".

A Rede Expressos recorreu desta decisão da AMT.

Em dezembro, ouvida também no parlamento, a Rede Expressos afirmou que o terminal de Sete Rios, em Lisboa, não "comportará a entrada dos serviços pedidos pela FlixBus", alegando que a infraestrutura está "esgotada".

Segundo o gerente Martinho Costa, a entrada da FlixBus também implicaria questões de segurança ao nível da infraestrutura, pois causaria a "passagem dos limites de segurança recomendados por um terminal rodoviário, tanto na utilização interna quanto nas vias de circulação exterior ao terminal".

Também ouvida esta quarta-feira na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, a presidente da AMT, Ana Paula Vitorino, defendeu alterações à legislação para que obrigue à separação entre as empresas que fazem a gestão dos terminais rodoviários e as empresas que aí operam para garantir acesso equitativo a esses terminais. Esta ideia que já tinha sido defendida na terça-feira no parlamento pela Autoridade da Concorrência.

Ainda quanto à audição do IMT, João Jesus Caetano defendeu que o parlamento deve repensar todo o quadro regulamentar da operação de terminais, interfaces e 'hubs' em Portugal para definir regras claras em cada caso.

"Precisamos de um novo quadro regulamentar [...]. Vai muito para lá do conflito entre a FlixBus e a Rede Nacional de Expressos", disse o presidente do IMT.

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