Um homem morreu no Seixal, depois de ter esperado três horas por meios de socorro que deviam ter chegado no máximo em uma hora.
A comissão de trabalhadores do INEM recusou esta quarta-feira ser "bode expiatório de falhas do Serviço Nacional de Saúde", atribuindo à retenção de macas das ambulâncias nas urgências hospitalares a indisponibilidade de meios para socorro, como no caso do Seixal.
Numa publicação divulgada na sua conta na rede social Facebook, a comissão de trabalhadores do INEM afirma que "a morte de um cidadão no Seixal, após ter aguardado quase três horas por socorro, é um facto grave e politicamente incontornável".
A retenção de macas nos hospitais, para além de não ser "novo nem excecional", é "um problema estrutural que continua a retirar meios da rua e a destruir a capacidade de resposta do Sistema Integrado de Emergência Médica", já denunciado quer junto do parlamento quer da ministra da Saúde.
"A Comissão de Trabalhadores já tomou posição pública mais do que uma vez sobre este tema. O problema persistiu, e a insistência em normalizá-lo tem consequências. O ponto é simples e não admite desculpas: a maca e o meio de emergência pré-hospitalar não são um "recurso de apoio" ao bloqueio das urgências. Quando uma maca fica retida, o sistema perde capacidade imediata de resposta, com chamadas em espera e tempos que se degradam", afirmou a comissão de trabalhadores do INEM.
Um homem morreu no Seixal (Setúbal), depois de ter esperado três horas por meios de socorro que deviam ter chegado no máximo em uma hora, de acordo com a prioridade atribuída, tendo o caso motivado a abertura de um inquérito pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, assegurou esta quarta-feira que ativou em 15 minutos o socorro para o doente que morreu no Seixal, mas não havia ambulâncias disponíveis na margem Sul para dar resposta.
Os representantes dos trabalhadores do instituto de emergência médica defendem que quer o INEM quer o Ministério da Saúde devem garantir que as unidades hospitalares não são responsáveis pela retenção de meios de emergência, garantindo que têm "capacidade, procedimentos e recursos próprios para receber e transferir doentes sem aprisionar macas, ambulâncias e equipas".
A ausência desses meios próprios, acrescentam, "é uma falha grave do sistema, com impacto direto na segurança da população".
"E há um limite que tem de ser afirmado com clareza: não podem os profissionais do INEM e o próprio Instituto continuarem a ser o bode expiatório de falhas do Serviço Nacional de Saúde que são completamente alheias ao INEM. Quando o bloqueio está no circuito hospitalar, a responsabilidade é do circuito hospitalar --- e tem de ser assumida, corrigida e impedida de se repetir", defendeu a comissão de trabalhadores.
Em comunicado a propósito do mesmo caso, a Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica questionou a adequação dos meios atribuídos ao socorro e à prioridade designada, que "levanta dúvidas sobre a conformidade com as melhores práticas internacionais".
A associação afirmou que a falta de uma resposta imediata "comprometeu a segurança do paciente e colocou em risco a triagem e a correta priorização de outras chamadas emergenciais, afetando a eficiência do SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica]".
A situação de confusão e agitação em que o homem que viria a morrer se encontrava após a queda devia ter levado a ativar uma ambulância de emergência, acompanhada de uma viatura de emergência médica (VMER), segundo a associação.
"Mesmo que, numa avaliação inicial, não fosse considerada prioridade, ao notar-se o agravamento do estado clínico, deveria ter sido acionado um meio alternativo de resposta pré-hospitalar, como VMER, mota de emergência médica ou, em última instância, uma viatura de combate a incêndios, garantindo presença no local, avaliação e acompanhamento do paciente", acrescentou a associação.
O organismo pede correções ao SIEM, cuja alteração recente foi "mal implementada", segundo argumentam, "e sem suporte informático adequado, dificultando a gestão operacional e contribuindo para falhas críticas como esta".
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