Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
3

Trabalhadores dos Transportes repudiam plano da TAP com três destinos a Norte

Sindicato considera que tal medida põe em causa relançamento da economia regional.
Lusa 4 de Maio de 2020 às 11:45
TAP
TAP
O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (STTAMP) repudiou hoje o plano de reativação da TAP com três destinos a partir do Norte, considerando que tal põe em causa o relançamento da economia regional.

"A intenção da TAP, ainda que não confirmada, de retomar três destinos a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no [distrito do] Porto, enquanto planeia reativar 71 destinos à saída do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, num plano faseado compreendido entre meados do mês de maio e o início do mês de julho, põe claramente em causa o relançamento da economia numa região fortemente industrializada", alerta em comunicado o STTAMP.

A possibilidade de, na sequência da pandemia de covid-19, a TAP retomar, no Porto, apenas os destinos do Funchal, Londres e Paris merece do sindicado o "veemente repúdio", acrescenta, vincando que "a administração da companhia não pode esquecer-se de que a TAP é a transportadora aérea nacional" e "tem responsabilidades para com a totalidade do território".

"Num momento de tentativa de recuperação de uma crise sanitária como a que vivemos, [a TAP] constitui uma plataforma de criação de riqueza que, pelo facto de equalizar as oportunidades das várias regiões, irá certamente daí obter valor para si própria", refere o sindicado.

Para o STTAMP, "não é de todo inteligível que a TAP possa sequer conjeturar um plano operacional de reativação desta natureza, ignorando os 13 milhões de passageiros movimentados pelo Aeroporto do Porto em 2019".

O sindicato refere que o Aeroporto Francisco Sá Carneiro é "uma infraestrutura com uma capacidade geográfica de atracão de cinco milhões de pessoas, onde se inclui o norte de Espanha mas também o centro do país, uma vez que 25% dos passageiros que utilizam o Aeroporto do Porto se encaminham para zonas a sul da região".

O STTAMP nota que "o turismo do Porto e Norte tem vindo a desenvolver um trabalho de articulação com outras organizações nacionais e internacionais no sentido de criar iniciativas e desenvolver campanhas de promoção que dinamizem a retoma de um setor que tanto tem dado ao país".

"A componente do transporte aéreo é indubitavelmente uma pedra chave deste sucesso. A utilização dos transportes coletivos terrestres por um número cada vez maior de pessoas que visitam o nosso país em lazer é também um facto absolutamente incontornável", observa o STTAMP.

O Governo está a analisar a eventual concessão de apoios públicos à TAP, para assegurar a sua continuidade, segundo o relatório e contas da empresa pública Parpública, que detém 50% da companhia aérea.

Atualmente, a TAP tem a sua operação suspensa quase na totalidade e, no âmbito das medidas de apoio às empresas impactadas pela pandemia de covid-19 na economia, recorreu ao 'lay-off' simplificado dos trabalhadores.

Na quinta-feira, em entrevista à RTP, o primeiro-ministro recusou-se a colocar já na agenda qualquer revisão do plano estratégico da TAP e adiantou que o Governo vai aguardar pelo quadro europeu de medidas para o setor da aviação civil.

Desde 2016 que o Estado (através da Parpública) detém 50% da TAP, resultado das negociações do Governo de António Costa com o consórcio Gateway (de Humberto Pedrosa e David Neeleman), que ficou com 45% do capital da transportadora.

Os restantes 5% da empresa estão nas mãos dos trabalhadores.

O Estado tem administradores no Conselho de Administração da empresa (administradores não executivos), sendo os administradores da Comissão Executiva nomeados pelos acionistas privados.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)