No debate desta terça-feira, o executivo comunitário estabeleceu que a UE "não está suficientemente preparada para os impactos" das catástrofes naturais.
A Comissão Europeia está a preparar um sistema de comunicação por satélite que permitirá alertar todos os cidadãos da União Europeia em caso de emergência, mesmo em caso de apagão total, foi esta terça-feira anunciado em Estrasburgo.
Num debate no Parlamento Europeu (PE) sobre fenómenos meteorológicos extremos, em particular em Portugal, sul de Itália, Malta e Grécia, a comissária europeia para a Preparação e a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, adiantou que, "através do sistema de satélites Galileu, vai ser possível dentro em breve enviar mensagens a todos os cidadãos da UE em caso de emergência, mesmo que haja um apagão total".
A comissária reconheceu que as políticas atuais já não estão à altura das catástrofes: "Precisamos de prevenção, reparação e recuperação, mais instrumentos e mais bem adaptados" e, nesse sentido, Bruxelas irá apresentar em breve uma estratégia integrada para o clima e uma comunicação sobre combate a incêndios florestais.
No debate desta terça-feira, o executivo comunitário estabeleceu que a UE "não está suficientemente preparada para os impactos" das catástrofes naturais, que colocam "desafios crescentes", defendendo ser "preciso pensar para além da resposta imediata, nas consequências a longo prazo".
Neste sentido, a comissária adiantou que, perante o risco de incêndios florestais no próximo verão, o executivo comunitário está preparar uma "comunicação sobre o combate aos incêndios e gestão de risco".
"Infelizmente, sabemos que estes eventos trágicos em Espanha, Portugal, Malta e Grécia não serão os últimos desta magnitude", referiu também, Lahbib, destacando que Bruxelas "está a preparar também uma estratégia integrada para a resiliência climática com medidas para as pessoas e as empresas, que traz mais clareza e informação sobre os riscos próprios de cada Estado-membro".
A comissária destacou que a UE está pronta para ajudar os Estados-membros recentemente afetadas por tempestades, referindo ainda que a luta contra as alterações climáticas pode ser reforçada com fundos de Coesão, da política agrícola, fundo social europeu, do programa Eramus+ nomeadamente na qualificação das forças de intervenção no sentido da recuperação.
"A UE tem de melhorar a preparação, combinar as forças nacionais com a coordenação europeia para melhor responder às necessidades perante fenómenos meteorológicos extremos", defendeu a comissária.
No debate, intervieram eurodeputados portugueses, tendo Lídia Pereira (PSD) destacado que "os eventos extremos deixaram de ser exceção" e avisando que, "se os tempos mudaram, a ação política também tem de mudar".
João Cotrim Figueiredo (IL) sugeriu a criação de um plano europeu de adaptação a catástrofes naturais e o fortalecimento do mecanismo de solidariedade europeu.
O eurodeputado João Oliveira (PCP) manifestou "incompreensão face à ausência de pedido de auxílio" pelo Governo de Lisboa ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil e pediu "medidas de fundo" e mecanismos de apoio financeiro para além do Programa de Recuperação e Resiliência.
Já Marta Temido (PS) lembrou que a bacia do Mediterrâneo e a Península Ibérica se tornaram a "zona zero da crise climática da Europa: vivemos entre incêndios devastadores e inundações catastróficas" e considerou que a coordenação nacional é essencial, "qualquer que seja o mecanismo europeu que está por detrás".
O eurodeputado Tiago Moreira de Sá (Chega) sublinhou que, em situações de emergência, "os apoios europeus têm de ser mais rápidos, eficazes e menos burocráticos", referindo também que "quando as populações precisam de ajuda imediata, a reposta não pode ficar refém de burocracias, procedimentos lentos ou calendários administrativos".
Catarina Martins (BE) apontou o dedo a "uma maioria de irresponsáveis" no PE que "recua em todos os compromissos climáticos", apelando a que a UE "esteja à altura do enorme movimento de solidariedade", nomeadamente em Portugal.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Esta terça-feira de manhã estavam ainda 35 mil clientes da E-Redes sem abastecimento de energia elétrica em consequência do mau tempo.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas e o Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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