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Um quarto das mulheres trabalhadoras tinha vínculos precários em 2024

Situação agrava-se entre as jovens trabalhadoras com a taxa a ser superior a 50%, conclui um estudo da CGTP.

19 de fevereiro de 2026 às 08:29

Quase 570 mil mulheres trabalhadoras em Portugal tinham vínculos precários em 2024, o equivalente a 25,6% do total, sendo que a situação agrava-se entre as jovens trabalhadoras com a taxa a ser superior a 50%, conclui um estudo da CGTP.

"O emprego tem aumentado, mas à sobretudo à custa dos vínculos precários, com sete em cada dez trabalhadores a encontrar emprego através de contratos não permanentes", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.

No que toca especificamente à força de trabalho feminina, 569,1 mil mulheres trabalhadoras em Portugal tinham vínculos precários em 2024, o equivalente a 25,6% das 2.223,3 mil trabalhadoras.

Segundo a análise da CGTP, Portugal é "o segundo país da União Europeia em que mais se recorre a vínculos precários", sendo que em 2024 as mulheres representavam "45% dos trabalhadores com vínculos precários em Portugal".

Das cerca de 570 mil mulheres com vínculos precários em 2024, a maioria (449,3 mil) diziam respeito a contratos a termo no setor privado e setor empresarial do Estado (SEE), enquanto 50,5 mil referiam-se a contratos a termo na Administração Pública e os restantes 69,3 mil a "falsas prestações de serviço e outros no total dos setores", segundo a análise da central sindical, através do cruzamento de dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público e do Instituto Nacional de Estatística.

Por outro lado, e com base nos dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional referentes a dezembro, a intersindical indica ainda que mais de metade (55%) dos desempregados que se registaram nos centros de emprego "fizeram-no porque o seu contrato a prazo acabou".

Perante esta análise, a CGTP alerta que a precariedade "tem consequências profundamente negativas na vida das trabalhadoras e trabalhadores - traduzindo-se em menores salários, insegurança, menor investimento das empresas em formação profissional, intimidações e chantagens, maiores ritmos de trabalho, etc. -- assim como sobre a economia e o desenvolvimento do país, além de constituir a principal causa de desemprego".

Este é o segundo estudo divulgado pela CGTP sobre a situação atual da mulher no trabalho, no âmbito da semana da igualdade.

O primeiro foi dedicado aos salários e constatava que quase 60% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos em novembro de 2025, sendo que destas uma em cada cinco ganhava o salário mínimo nacional.

A CGTP realiza a semana da igualdade entre 02 e 08 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição", com iniciativas no país.

O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 08 de março.

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