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Utentes contestam encerramento de unidade de saúde em Alverca devido a avaria no ar condicionado

Comissões de utentes classificam a situação como "incompreensível" e sustentam que a falta de manutenção das instalações não pode impedir o acesso aos cuidados de saúde primários.

08 de julho de 2026 às 19:48

As comissões de utentes do concelho de Vila Franca de Xira manifestaram esta quarta-feira "repúdio e preocupação" com o encerramento da Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho, em Alverca do Ribatejo, devido a uma avaria no sistema de ar condicionado.

Em carta aberta dirigida ao presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo e à coordenação da USF Gago Coutinho, os utentes consideram que o encerramento da unidade ocorre "numa altura de temperaturas extremas" e afeta uma população que necessita de cuidados de saúde de proximidade.

Segundo a carta, esta quarta-feira divulgada, a avaria do sistema de climatização tornou "insuportável a permanência no edifício", impedindo os profissionais de saúde de exercerem funções em condições de segurança e colocando em risco a saúde dos utentes, entre os quais idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas.

As comissões de utentes classificam a situação como "incompreensível" e sustentam que a falta de manutenção das instalações não pode impedir o acesso aos cuidados de saúde primários, considerando que o problema representa "não apenas uma falha técnica", mas também uma falta de respeito pelos utentes.

No texto, é recordado que a responsabilidade pela manutenção e conservação dos edifícios dos centros de saúde do concelho passou em 2024para a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, no âmbito do processo de descentralização de competências.

Os utentes referem que essa transferência foi contestada na altura pelas próprias estruturas representativas dos utentes e pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).

Ainda assim, defendem que tanto a ULS Estuário do Tejo como a coordenação da USF Gago Coutinho devem exigir, "com a máxima urgência e firmeza institucional", as condições necessárias para garantir o funcionamento da unidade.

Os subscritores da carta exigem a reparação ou substituição urgente do sistema de climatização, a criação de um plano de contingência que assegure alternativas de atendimento durante o período de encerramento e uma inspeção às condições técnicas das restantes unidades de saúde do concelho para prevenir situações semelhantes.

"A saúde é um direito constitucional que não pode ficar refém de burocracias ou de falta de planeamento", afirmam os utentes, que reclamam uma resposta rápida das entidades envolvidas e a reabertura da USF Gago Coutinho "com as condições de dignidade que todos os utentes e profissionais merecem".

Em resposta às questões colocadas pela Lusa, a Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo esclareceu que a USF Gago Coutinho "não se encontra encerrada", tendo sido apenas alvo de "uma reorganização temporária da atividade assistencial devido ao período de temperaturas elevadas e a constrangimentos no sistema de climatização de algumas áreas do Centro de Saúde de Alverca".

Segundo a ULS, foram adotadas medidas de contingência para assegurar a continuidade dos cuidados de saúde aos utentes. A atividade de enfermagem foi temporariamente relocalizada para um espaço climatizado do Centro de Saúde de Alverca, mantendo-se também o acompanhamento domiciliário e o atendimento das situações clínicas urgentes.

Já as consultas médicas programadas e de doença aguda realizadas pelos profissionais da USF Gago Coutinho foram transferidas para gabinetes disponibilizados no Hospital de Vila Franca de Xira entre terça e quinta-feira, tendo sido igualmente mantida a atividade domiciliária médica.

De acordo com a administração, está prevista a retoma integral da atividade da USF Gago Coutinho nas instalações habituais do Centro de Saúde de Alverca a partir de sexta-feira.

A ULS sublinhou ainda que as medidas adotadas tiveram um caráter preventivo, visando salvaguardar a segurança de utentes e profissionais e minimizar o impacto das condições ambientais verificadas, acrescentando que continua a acompanhar a situação em articulação com os parceiros institucionais envolvidos.

A Lusa questionou também a Câmara de Vila Franca de Xira, mas ainda não obteve resposta.

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