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Utentes da Transtejo dizem que investimento tem sido "aquém do necessário"

Comissão de Utentes assinalou os 50 anos da empresa pública de transporte fluvial. Empresa anunciou ligação Seixal-Barreiro-Lisboa ao fim-de-semana a partir de março.

21 de janeiro de 2026 às 19:58

A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul saudou esta quarta-feira os 50 anos da Transtejo, mas alerta que, nestas cinco décadas, o investimento dos governos neste serviço "tem ficado aquém do necessário".

Numa mensagem publicada na sua página do Facebook, a comissão de utentes adianta que é urgente que o Governo olhe para este serviço fluvial "de uma forma séria e estratégica.

"Os atuais problemas dos utentes da margem sul só se resolvem com uma rede pública de transportes integrada, adequada à procura, e fiável", referem os utentes.

Segundo a comissão, nestes 50 anos, o investimento tem ficado aquém do necessário quer no alargamento das carreiras fluviais a outros concelhos e zonas da margem sul e norte, quer ao nível da contratação dos recursos humanos necessários para a operacionalização e manutenção da frota.

Destaca também que é necessária uma requalificação dos cais de embarque, "cuja degradação e falta de capacidade para o número de utentes que serve salta à vista".

"Estas opções traduzem-se em supressões, na falta de fiabilidade do serviço, põem em causa o direito dos utentes à mobilidade, impactam diariamente nas suas vidas, pela incerteza nas deslocações, se chegarão a horas, ou não, ao destino", sustenta.

Numa cerimónia realizada esta quarta-feira para assinalar os 50 anos da empresa que liga Lisboa à margem sul, a bordo de um dos novos navios 100% elétricos, o presidente da TTSS -- Transtejo Soflusa, Rui Ribeiro Rei, afirmou que a empresa transportou 21 milhões de passageiros em 2025 e anunciou novas ligações entre as margens do Tejo, a aposta em navios elétricos e a intenção de os tradicionais cacilheiros serem barcos turísticos.

Segundo o responsável, a empresa prevê ter, até abril, o estudo do novo terminal de Cacilhas, um "interface que colocará as embarcações, o metro e os autocarros com a TML [Transportes Metropolitanos de Lisboa] do lado de lá".

O responsável destacou ainda que a TTSS recebeu recentemente os resultados do primeiro estudo para uma ligação de Algés à Trafaria, que pode ser testada em 2027, e está a estudar uma possível ligação da margem sul ao Parque das Nações.

Rui Ribeiro Rei adiantou que até março, a empresa testará aos fins de semana uma ligação fluvial entre o Seixal, o Barreiro e o Cais do Sodré, em Lisboa.

A ligação Seixal-Barreiro-Lisboa, salientou, servirá "para incrementar o Seixal" e "também para incrementar o Barreiro, trazendo-o para um ponto diferente da cidade", neste caso para o Cais do Sodré.

Quanto ao aumento das queixas dos utentes no ano passado por supressões de carreiras, o presidente da TTSS considerou que a "fase mais difícil já passou", apesar de admitir que continuam a existir "algumas dificuldades", dando como exemplo recente a travessia do Montijo.

"Não tenho nenhuma dúvida que já baixaram substancialmente, até porque nós reduzimos em 92% essas supressões. Agora, continuaremos a ter reclamações, até porque as reclamações são importantes, a par dos estudos que fazemos de opinião e de satisfação das pessoas, para obtermos do lado dos nossos clientes a opinião que têm do transporte", afirmou.

Segundo Rui Ribeiro Rei, a frota total da empresa é de 29 navios, 10 deles elétricos, sendo que nem todos funcionam em permanência.

Até outubro funcionavam três navios elétricos na rota do Seixal e em 1 de novembro foi aberta a operação de Cacilhas, onde funcionam três navios elétricos a par de navios a diesel, mas onde a oferta deverá ser 100% elétrica durante o mês de fevereiro.

Os navios a diesel serão reparados para reforçar as rotas da Trafaria, Porto Brandão e Belém.

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