Concelho da Marinha Grande foi dos mais devastado pela tempestade do último mês.
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A "remar para chegar a bom porto" é como a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria define hoje a terra que se reinventa para reparar estragos da tempestade que há um mês deixou marcas em todas as casas.
Depois de na madrugada de 27 de janeiro ter sido "dos território mais devastado pela tempestade que levou tudo à frente", Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande, distrito do Leiria, é hoje "uma terra de pescadores a remar para chegar a bom Porto", disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia, Álvaro Cardoso.
Depois de "20 dias sem água, sem iluminação e ainda hoje com muitas dificuldades nas comunicações", a localidade "reinventa-se, com muita solidariedade e generosidade de voluntários, particulares e empresas" que foram ajudar e levaram donativos, afirmou o autarca que, um mês depois da tempestade, ainda se emociona a recordar "o cenário desolador" encontrado na manhã do dia 28 de janeiro.
Dos mais de seis mil habitantes "não houve nenhum que ficasse imune" e, um mês depois, é preciso tudo se reinventar para "tentar recuperar a normalidade", na freguesia onde a tempestade arrancou telhados em casas e escolas.
Durante duas semanas, duas turmas tiveram aulas na Junta de Freguesia e só hoje vão ser transferidos para contentores monobloco instalados no campo de jogos da Secundária José Loureiro Botas.
Mas, para isso acontecer, houve que retirar dessa escola turmas de 10.º, 11.º e 12.º anos, cujas aulas são agora lecionadas na igreja e na Biblioteca de Instrução Popular (BIP).
Na terra que "se reinventa", há assim aulas de Educação Física no átrio da Igreja, onde os alunos do professor Pedro Guerra ensaiam danças tradicionais.
"O átrio da igreja serve perfeitamente para lecionar a dança, uma das modalidades que faz parte do programa, mas também estamos a utilizar o ringue da escola do primeiro ciclo, para outras modalidades", afirmou o professor que vai "improvisando e tentando que os miúdos pratiquem desporto", convicto de que "vai ajudar a terem um bem-estar e uma saúde mental melhor, dada a situação que viveram".
Carolina Guerra, de 17 anos, não se queixa, nem das aulas no átrio da igreja, nem das ministradas na BIP.
"Arranjaram esta solução para ganhar espaço na nossa escola para os mais pequeninos e foi uma boa solução, porque temos boas condições", disse, secundada por Matias Carvalho, da mesma turma, que assegurou: "estamos bem ali na biblioteca".
A adaptação à nova realidade levanta, no entanto, "receios com os exames" já que, explicou Carolina, neste momento não há luz em casa e muitos não têm Internet.
No caso desta aluna, que pretende fazer exame de Biologia, o "explicador não está a dar explicações porque ficou com a casa destruída", levando-a a temer "como será a entrada na universidade".
Na fila para submeter candidaturas aos apoios do Estado, José Costa, de 72 anos, vive outras preocupações.
Com estragos de "mais de 50 mil euros, em telhados de três casas", lamenta "não encontrar telha vidrada para acudir aos inquilinos".
Ao lado, Celeste Raposo, de 68 anos, viúva, pede apoio para "reparar o telhado, os vidros que se partiram todos e um portão que caiu", enquanto se queixa de estar "há um mês sem televisão".
"São muitas as pessoas que recorrem à junta para as ajudar no preenchimento das candidaturas", reconheceu Alvará Cardoso, que para assegurar o serviço instalou um router 'Starlink'.
Mas, na vila que faz o que pode para se reinventar, "os recursos humanos não chegam para tudo" e, por isso, a partir de hoje o estaleiro onde são distribuídas telhas a quem precisa, "deixa de funcionar todos os dias e passa a estar aberto às terças e sextas-feiras das 13:00 às 16:00, por marcação".
Até porque "a procura de telha já diminuiu" e a entrega de bens alimentares e de higiene, que era feita no mesmo espaço, passou para o Centro Social e Paroquial de Vieira, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande e a Segurança Social.
O apoio está agora "direcionado para 30 a 40 pessoas mais carenciadas", mas o autarca disse acreditar que "esse número vai duplicar, porque vai haver muitas situações de desemprego e dificuldades económicas".
"Cá vamos remando, com a nossa resiliência e a solidariedade de empresas de norte a sul do país e dos movimentos voluntários, que tiveram que voltar aos seus trabalhos, mas continuam a vir ao fim de semana", salientou.
Pois, acrescentou "unidos e fortes, resilientes", se conseguirá reconquistar aquilo que se perdeu.
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