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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Visão mais saudável no Alentejo

Passou de dois anos para dois meses o tempo de espera para beneficiar de uma cirurgia de Oftalmologia no Alentejo, ao longo dos últimos dois anos. Esta evolução deve-se sobretudo a dois factores: uma melhor gestão e articulação de recursos técnicos e humanos e a aposta das intervenções em ambulatório.<br/><br/>

14 de junho de 2009 às 00:30

No Hospital do Espírito Santo, em Évora (HES), os números são esclarecedores. Se em 2006 foram efectuadas 670 cirurgias, esse número aumentou para 1564 em 2008. Espera-se que este ano feche com mais de duas mil operações. A principal fatia destes números diz respeito a cirurgia de cataratas, o mais comum dos problemas oftalmológicos diagnosticados nos hospitais portugueses. Sendo uma doença que afecta sobretudo a faixa etária acima dos 60 anos, no Alentejo este diagnóstico toma proporções ainda mais acentuadas visto tratar-se de população envelhecida.

"Passámos da preocupação da lista de espera para a preocupação com a realização em tempo útil para o doente", explicou Manuel Carvalho, director clínico do HES.

Já no distrito de Beja, se em 2007 foram operados 1143 doentes, a expectativa para 2009 é a de que esse número chegue aos 3500, de acordo com os dados da administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA). No Norte Alentejano os números também têm subido exponencialmente.

As vantagens são em exclusivo para o paciente que sofre de cataratas: menor risco devido à evolução técnica, menor tempo de recuperação e a possibilidade de ser acompanhado sem estar internado. "É uma questão de saúde pública. Um problema global. Podemos actualmente desenvolver este serviço com grande qualidade", acrescentou Manuel Carvalho.

Em poucos minutos, o doente entra no bloco e é operado. Por norma, retoma a vida normal ao fim de escassas horas.

CÂMARAS LEVAM DOENTES A CUBA

Algumas autarquias de todo o País pagaram do próprio bolso o combate às listas de espera de Oftalmologia proporcionando aos doentes uma viagem a Cuba para uma operação às cataratas, durante os últimos anos. Embora menos frequentes, ainda há autarcas a recorrer a esta solução. Os responsáveis clínicos nacionais recusam que seja uma solução viável.

Todos os médicos contactados pelo CM dizem que o Sistema Nacional de Saúde pode actualmente garantir eficácia, conforto e condições de recuperação para todos os pacientes com esta doença. n

"UM SALTO NA QUALIDADE" (Augusto Candeias, Dir. de Oftalmologia do HES)

Correio da Manhã – Que diferenças existem no pré e pós-operatório das cataratas?

Augusto Candeias – O paciente sente sobretudo uma enorme melhoria na sua qualidade de vida. É como deixar de ver turvo, para ver límpido, se a catarata for o único problema.

– E quais são os riscos?

– Os mesmos de qualquer operação, mas houve um grande salto na qualidade que diminui quase todo o risco nesta cirurgia.

– Que conselhos deixa à população?

– Que procure mais os cuidados de saúde. Detectado a tempo, o doente passa por um processo muito simples até à sua resolução.

O MEU CASO: "A MINHA VISTA MELHOROU BASTANTE" (Floraldina Arranhado)

Quando começou a perder a paciência de cada vez que tentava enfiar a linha no buraco da agulha, Floraldina Arranhado nem pensou duas vezes em ir ao médico para tratar a vista. "Cheguei a ir a médicos a Espanha, mas acabei por ser tratada no Hospital de Évora depois de aconselhada pela minha médica de família. Só posso dizer que fui muito bem tratada e que a minha vista melhorou bastante", salientou a paciente, de 79 anos.

Devido a uma doença hereditária do seu lado paterno, Floraldina começou a usar óculos aos 22 anos. "Saí ao meu pai, que também sofria de miopia. Mas ao longo de todos estes anos sempre fiz o meu trabalho sem grandes dificuldades", referiu a mulher, residente em Foros do Queimado, freguesia do concelho de Évora.

O pior veio com as cataratas, em ambos os olhos. Começaram a intensificar-se há cerca de dez anos e logo nas duas vistas. "Comecei a ter uma grande escuridão nos olhos. Já usava uma lupa para ler. Deixei de ter autonomia", explicou.

Mas foi apenas este ano que a mulher decidiu enfrentar a sala de operações. "As pessoas diziam que a lista de espera era muito grande, tive receio que demorasse muito tempo até resolver tudo. Tive sorte, porque no meu caso, foi tudo muito depressa", referiu. Em 22 de Abril foi operada ao olho esquerdo e passado um mês ao direito. "Agora voltei a ter qualidade de vida. Já não preciso de pôr os papéis em frente da cara. É tudo mais nítido", congratulou-se a idosa.

PERFIL

Floraldina Arranhado, 79 anos, dividiu a sua vida entre o trabalho nos campos agrícolas do Alentejo e o de mulher-a-dias em Lisboa. Disse ter perdido qualidade de vida com as cataratas ao longo da idade.

SAIBA MAIS

PLANO

O plano do Ministério da Saúde de combate às listas de espera na Oftalmologia começou em 2008.

1447

Pessoas foram operadas de Janeiro a Maio de 2009, no Hospital de Beja.

80%

Peso das cirurgias de cataratas nos números da Oftalmologia em Évora. Em 2005 era de 34,7%.

IDADE

A maior parte das doenças do foro ocular está relacionada com o envelhecimento humano.

NOTAS

AMBULATÓRIO

Cerca de 88 por cento das cirurgias de Oftalmologia em Évora são realizadas em ambulatório.

BEJA REDUZIU LISTA

Em 2007 havia 1400 doentes na lista de espera de Beja. Em 2009 o número é dez vezes inferior (140).

ACOMPANHAMENTO

Depois da operação, os doentes continuam a ser acompanhados na unidade onde decorreu a cirurgia.

OPERAÇÃO ÀS CATARATAS

A facoemulsificação é uma das técnicas cirúrgicas mais seguras e precisas que existem hoje em dia e proporciona ao paciente a possibilidade de retomar as tarefas habituais quase imediatamente após a intervenção.

- O que é a catarata?

- É a opacificação do cristalino, uma das lentes do sistema visual. É uma doença degenerativa e pode levar à cegueira. Ocorre com mais frequência nas pessoas com mais idade e com inflamações oculares

SINTOMAS

Numa primeira fase, quando a catarata é pouco densa, assiste-se a um desfocar da visão, como se estivesse nevoeiro. As luzes parecem encandear mais  do que é habitual. Numa fase mais avançada, a visão torna-se quase nula, impedindo progressivamente as actividades quotidianas.

A CIRURGIA

Consiste na extracção do cristalino, mediante a técnica de facoemulsificação, e na sua substituição por um cristalino artificial ou uma lente intra-ocular.

1. SONDA ULTRA-SÓNICA:

2. Posteriormente, a mesma sonda injecta o cristalino artificial, uma lente intra-ocular. O novo cristalino é feito de um material amarelado pois filtra a luz azul (UVB), que pode ser prejudicial aos olhos

 

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