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Correio da Manhã

Sociedade
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Voluntárias de Torres Vedras costuram vestidos para crianças carenciadas no Mundo

Cada vestido confecionado pelas mãos das 25 voluntárias sai com um bolso em forma de coração.
16 de Março de 2019 às 07:40
Voluntárias de Torres Vedras costuram vestidos para crianças carenciadas no Mundo
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Voluntárias de Torres Vedras costuram vestidos para crianças carenciadas no Mundo
Voluntárias de Torres Vedras costuram vestidos para crianças carenciadas no Mundo
Voluntárias de Torres Vedras juntam-se todas as semanas para costurar "com o coração" vestidos e calções para crianças carenciadas em todo o mundo, dando sentido à expressão em suaíli 'My Moyo', o nome do ateliê de costura solidária.

Cada vestido confecionado pelas mãos das 25 voluntárias sai com um bolso em forma de coração, a forma que o grupo encontrou de demonstrar a sua solidariedade e identificar os seus donativos após as entregas feitas por voluntários ou organizações não-governamentais (ONG) em diversos países.

O ateliê 'My Moyo', que significa "meu coração" em suaíli, foi criado em junho de 2017 por Sofia Figueiredo e é um dos 20 ateliês de costura solidária existentes no país a colaborar com o programa internacional 'Dress a Girl Around The World'. Além dos vestidos para meninas, estas voluntárias confecionam também calções para os meninos.

Segundo a mentora, "começou com cinco ou seis voluntárias numa fase inicial e agora já são mais de 25", sem contar com outros os ateliês que estão a colaborar com o projeto, como a Santa Casa da Misericórdia ou um ateliê no Bombarral e com quem doa os tecidos, linhas, botões e até máquinas de costura.

Além dos encontros à segunda-feira no ateliê, grande parte das voluntárias, "durante a semana, vai costurando em casa e traz 12 ou 20 vestidos feitos", adianta.

A maioria são pessoas sem atividade profissional ou reformadas.

Isabel Lopes, 61 anos, é uma delas. "Há nove anos que deixei de trabalhar, sempre gostei muito de trabalhos manuais e ia ocupando o meu tempo nisso. Na Internet, vi um vídeo do projeto e encontrei aqui a solução para não sentir tantas saudades do meu filho, que foi trabalhar para o estrangeiro".

"É um trabalho gratificante. Não só me ajuda a ocupar a mente, como também, quando vejo o meu trabalho no corpo daqueles meninos, fico muito feliz", diz, emocionada.

Esta voluntária já influenciou para a tarefa, que entende como "terapia", dois familiares, um dos quais a atravessar um problema de saúde.

Celeste Cordeiro, 54 anos, dedica quase todo o seu tempo ao projeto desde maio de 2018. "Como o meu marido está em Angola e os vistos só permitem lá estar dois meses, vou e volto e passo muito tempo sozinha. É uma forma de me sentir útil também", refere a voluntária que, motivada pela solidariedade, aprendeu a costurar no ateliê.

Além da confeção, já efetuou duas entregas de vestuário a ONG em Angola, que depois o distribuem por crianças, muitas das quais "não têm acesso à escola" e a "única refeição do dia que tomam é assegurada pela ONG".

"É muito gratificante poder ver a alegria no rosto das crianças quando lhes entregamos os vestidos e os calções. No entanto, é muito emotivo tomar conhecimento das realidades em que vivem", salienta a voluntária, acrescentando que, em janeiro, aquando da última entrega de donativos, identificou vestidos doados pelo grupo em setembro.

O ateliê já confecionou mais de duas mil peças em quase dois anos, incluindo os 200 vestidos e 100 calções que estão a ser emalados para seguirem em breve para Benguela, em Angola.

O ateliê confeciona e doa também roupas para o Banco do Bebé, assim como toucas e turbantes para doentes oncológicos em fase de tratamento.
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