Cada vestido confecionado pelas mãos das 25 voluntárias sai com um bolso em forma de coração.
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Voluntárias de Torres Vedras juntam-se todas as semanas para costurar "com o coração" vestidos e calções para crianças carenciadas em todo o mundo, dando sentido à expressão em suaíli 'My Moyo', o nome do ateliê de costura solidária.
Cada vestido confecionado pelas mãos das 25 voluntárias sai com um bolso em forma de coração, a forma que o grupo encontrou de demonstrar a sua solidariedade e identificar os seus donativos após as entregas feitas por voluntários ou organizações não-governamentais (ONG) em diversos países.
O ateliê 'My Moyo', que significa "meu coração" em suaíli, foi criado em junho de 2017 por Sofia Figueiredo e é um dos 20 ateliês de costura solidária existentes no país a colaborar com o programa internacional 'Dress a Girl Around The World'. Além dos vestidos para meninas, estas voluntárias confecionam também calções para os meninos.
Segundo a mentora, "começou com cinco ou seis voluntárias numa fase inicial e agora já são mais de 25", sem contar com outros os ateliês que estão a colaborar com o projeto, como a Santa Casa da Misericórdia ou um ateliê no Bombarral e com quem doa os tecidos, linhas, botões e até máquinas de costura.
Além dos encontros à segunda-feira no ateliê, grande parte das voluntárias, "durante a semana, vai costurando em casa e traz 12 ou 20 vestidos feitos", adianta.
A maioria são pessoas sem atividade profissional ou reformadas.
Isabel Lopes, 61 anos, é uma delas. "Há nove anos que deixei de trabalhar, sempre gostei muito de trabalhos manuais e ia ocupando o meu tempo nisso. Na Internet, vi um vídeo do projeto e encontrei aqui a solução para não sentir tantas saudades do meu filho, que foi trabalhar para o estrangeiro".
"É um trabalho gratificante. Não só me ajuda a ocupar a mente, como também, quando vejo o meu trabalho no corpo daqueles meninos, fico muito feliz", diz, emocionada.
Esta voluntária já influenciou para a tarefa, que entende como "terapia", dois familiares, um dos quais a atravessar um problema de saúde.
Celeste Cordeiro, 54 anos, dedica quase todo o seu tempo ao projeto desde maio de 2018. "Como o meu marido está em Angola e os vistos só permitem lá estar dois meses, vou e volto e passo muito tempo sozinha. É uma forma de me sentir útil também", refere a voluntária que, motivada pela solidariedade, aprendeu a costurar no ateliê.
Além da confeção, já efetuou duas entregas de vestuário a ONG em Angola, que depois o distribuem por crianças, muitas das quais "não têm acesso à escola" e a "única refeição do dia que tomam é assegurada pela ONG".
"É muito gratificante poder ver a alegria no rosto das crianças quando lhes entregamos os vestidos e os calções. No entanto, é muito emotivo tomar conhecimento das realidades em que vivem", salienta a voluntária, acrescentando que, em janeiro, aquando da última entrega de donativos, identificou vestidos doados pelo grupo em setembro.
O ateliê já confecionou mais de duas mil peças em quase dois anos, incluindo os 200 vestidos e 100 calções que estão a ser emalados para seguirem em breve para Benguela, em Angola.
O ateliê confeciona e doa também roupas para o Banco do Bebé, assim como toucas e turbantes para doentes oncológicos em fase de tratamento.
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